CNJ e PF fazem busca e apreensão em gabinete de desembargador em Brasília

A ação é um desdobramento sobre a apuração aberta pela Corregedoria do CNJ sobre os processos do desembargador | Créditos: TRF-1/Divulgação - Arquivo


Em desdobramento das investigações sobre o Banco Master, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) autorizou uma operação contra o desembargador Newton Ramos, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), citado em mensagens associadas à “Turma do KN”.

Newton Ramos não foi afastado e continua no cargo. O procedimento do CNJ, com apoio da PF (Polícia Federal), tem como objetivo esclarecer a existência de favorecimentos privados e eventuais desvios de conduta no exercício do cargo.

A ação é um desdobramento sobre a apuração aberta pela Corregedoria do CNJ sobre os processos do desembargador que envolvem precatórios do setor sucroalcooleiro. É uma correição extraordinária, ou seja, um procedimento de fiscalização e auditoria. São verificados os processos nos computadores e também documentos.

A PF encontrou no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, menção a um contrato de honorários advocatícios de R$ 427 milhões destinado a um escritório de advocacia ligado à família do desembargador.

Nas mensagens, os valores são associados à chamada “Turma do KN”. O contrato previa pagamentos em caso de vitória em ações de interesse do ex-dono do Banco Master.

Para a PF, a expressão “Turma do KN” seria uma referência ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques.

Segundo a investigação, o suposto esquema teria sido operado pelo desembargador Newton Ramos e pela mulher dele, Camilla Ramos, sócia do escritório de advocacia Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos.

O magistrado proferiu votos favoráveis em processos de interesse do Banco Master meses antes de sua família firmar acordos com o banco de Vorcaro.

Em nota, o magistrado disse que permanece no pleno exercício de sua jurisdição, atuando e julgando normalmente os demais processos sob sua responsabilidade.

“O desembargador confia no trabalho desempenhado pela Corregedoria do CNJ, o qual considera natural e regular. Por fim, reafirma que está à inteira disposição do órgão para prestar todos os esclarecimentos necessários e sanar eventuais dúvidas sobre os casos em análise”, diz o comunicado.

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