Clã acusado modernizou “bicho” em aposta online mas manteve cobrança violenta, aponta investigação

| Créditos: Foto: Reprodução do processo


O Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) revelou, no âmbito da 4ª fase da Operação Successione, que o clã Razuk implementou uma estratégia de modernização para o esquema ilegal de jogos de azar em Mato Grosso do Sul. Liderado por Roberto Razuk, o grupo transformou o tradicional "Jogo do Bicho" em plataformas digitais de apostas, como o site "365 Loterias", buscando maior alcance e lucratividade na era virtual.

Apesar da adoção da tecnologia, a investigação aponta que a organização criminosa não abandonou táticas antigas, mantendo a violência e a coação (as chamadas "prensas") como meio de cobrança contra devedores do esquema online, conforme demonstrado em interceptações telefônicas. O Gaeco identificou que Jorge Razuk Neto, um dos filhos de Roberto Razuk, foi o responsável por idealizar e desenvolver a plataforma digital.

Além da expansão digital do jogo ilegal, o clã é acusado de usar sua influência e empresas de fachada, como a Criativa Technology, para tentar manipular o processo de concessão da loteria oficial do Estado, a Lotesul, visando expandir seus negócios criminosos. O relatório ministerial destaca o uso de prestígio para questionar a licitação no Tribunal de Contas, chegando a indicar o pagamento de custas processuais por Roberto Razuk.

A Operação Successione resultou no decreto de prisão de Roberto Razuk, seus filhos e mais 17 pessoas em diversos estados. Em nota, a defesa dos investigados negou a existência de uma organização criminosa, refutou as acusações de violência e atuação em jogos ilegais, e afirmou que as informações serão devidamente esclarecidas à Justiça.

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