Candidato à Presidência aborda propostas e controvérsias em entrevista sobre plano de governo e segurança pública

Flávio Bolsonaro dá entrevista ao JN | Créditos: Foto: Manoella Mello/Globo


Durante sabatina realizada em horário nobre, o postulante ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro, respondeu a questionamentos sobre temas econômicos, mudanças na legislação trabalhista, segurança pública e investigações em andamento. Ao longo de aproximadamente 40 minutos de transmissão, o parlamentar apresentou diretrizes para sua eventual gestão e rebateu acusações contra aliados e familiares.

Posicionamento sobre atos de janeiro e alianças familiares

Questionado sobre os episódios de invasão às sedes dos Três Poderes em janeiro de 2023, o candidato negou ter havido uma tentativa de golpe de Estado, classificando os desdobramentos jurídicos contra seu pai, Jair Bolsonaro, como perseguição política. Ele afirmou que não discutiu a participação do ex-presidente em uma eventual equipe de governo, embora mantenha a intenção de conceder-lhe perdão judicial caso eleito. Em relação ao seu irmão, Eduardo Bolsonaro, o postulante descartou a indicação dele para o Ministério das Relações Exteriores, ressaltando a atuação do familiar no exterior.

Alterações na legislação trabalhista e fim da reeleição

Sobre a jornada de trabalho, o candidato declarou apoio à extinção da escala 6x1, votada recentemente no Senado. Ele justificou a mudança como uma forma de dar mais liberdade de flexibilização de horários aos trabalhadores e garantiu a manutenção dos demais direitos previstos em lei.

Em sua plataforma política, defendeu o fim da reeleição para o Executivo federal por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que valeria já a partir do próximo mandato. A medida inclui ainda restrições para candidaturas subsequentes de parentes até terceiro grau.

Combate ao crime e investigações financeiras

Na área de segurança pública, a promessa central apresentada foi o enquadramento de grandes facções criminosas — como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) — como organizações narcoterroristas, além do afrouxamento das regras para posse de armas por cidadãos. Em contrapartida, evitou aprofundar o debate sobre propostas que alteram o rastreamento de munições de órgãos de segurança pública.

Interrogado sobre apurações que envolvem transferências financeiras do empresário Daniel Vorcaro ligadas ao financiamento de um projeto audiovisual, o candidato sustentou que a captação de recursos ocorreu dentro da legalidade, antes que surgissem suspeitas de irregularidades bancárias. Sobre a proximidade com parlamentares investigados, argumentou que cabe à Justiça analisar cada caso resguardando a ampla defesa.

Metas econômicas e diretrizes ambientais

Para o setor financeiro, o candidato indicou que pretende amortizar a dívida pública em mais de R$ 200 bilhões por meio da alienação de imóveis da União. Ele projeta ainda arrecadar R$ 100 bilhões com a exploração de petróleo na margem equatorial e planeja a extinção de cerca de dez ministérios para a contenção de despesas.

No campo ambiental, criticou os recentes índices de focos de incêndio no país. Contudo, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que o volume acumulado no período da Amazônia permanece abaixo dos recordes históricos do levantamento.

Antes de participar da sabatina, o candidato cumpriu agenda institucional com executivos e diretores da emissora organizadora do evento, encontro classificado pela empresa como uma visita cortesia de praxe fora do âmbito da equipe jornalística.

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