Campo Grande oferece teste rápido para contactantes de hanseníase na rede pública de saúde
- porRedação
- 26 de Janeiro / 2026
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Embora ainda seja cercada por estigmas e desinformação, a hanseníase segue como um problema de saúde pública no Brasil, que ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos da doença. Em Campo Grande, pessoas que mantêm contato próximo com pacientes diagnosticados têm acesso a um teste rápido, capaz de identificar se houve exposição à bactéria causadora da infecção.
Disponível na rede pública de saúde há cerca de três anos, o exame apresenta resultado em menos de 15 minutos. Até o momento, 93 contactantes de pacientes com hanseníase já realizaram o teste no município, todos com resultado negativo.
De acordo com o responsável técnico pela vigilância epidemiológica da hanseníase na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Michael Cabanhas, o teste é indicado após avaliação clínica detalhada. “Após a análise dos sinais e sintomas e quando não é possível confirmar o diagnóstico clínico, o contactante realiza o teste rápido para identificar se já houve contato com a bactéria”, explica.
Segundo o enfermeiro, quando o resultado é positivo, a pessoa passa a ser acompanhada por um período de cinco anos, com o objetivo de detectar precocemente o surgimento de lesões características da doença.
Dados da Sesau apontam que, somente no último ano, foram registrados 35 novos casos de hanseníase em Campo Grande. Dos 68 pacientes acompanhados no período, a maioria já apresentava múltiplas lesões pelo corpo no momento do diagnóstico, o que indica a procura tardia por atendimento médico.
A hanseníase é transmitida por via respiratória, por meio da fala, tosse ou espirro, mas exige contato íntimo e prolongado para que ocorra a infecção. Situações como morar na mesma residência ou compartilhar ambientes de trabalho por longos períodos aumentam o risco de transmissão.
Por esse motivo, pessoas que mantêm vínculo próximo com pacientes diagnosticados também devem ser acompanhadas de forma contínua, com atenção especial ao surgimento de possíveis sinais da doença. “Ao identificar um novo caso que ainda não esteja em tratamento, o contactante deve procurar a unidade de saúde de referência da região onde mora para que seja realizada a investigação”, reforça Michael.
Dados e tratamento
Tanto a testagem rápida quanto o tratamento da hanseníase são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cumprimento correto do esquema terapêutico é essencial para evitar sequelas e interromper a transmissão da doença, que deixa de ocorrer 24 horas após o início do tratamento.
Entre os principais sinais de alerta estão manchas na pele — avermelhadas, acastanhadas ou esbranquiçadas — associadas à diminuição da sensibilidade, redução dos pelos e do suor. Também podem ocorrer perda de força muscular em mãos, pés e face, além do surgimento de nódulos, que em alguns casos são dolorosos.
Em Campo Grande, ainda é comum que pacientes busquem atendimento apenas quando a doença já apresenta sequelas irreversíveis. No último ano, 54 dos 68 pacientes acompanhados apresentavam múltiplas lesões, enquanto apenas 14 tinham poucas manchas. Do total, 35 eram casos novos.






