Campo Grande implanta teleconsultoria em endocrinologia para reduzir filas e ampliar acesso a especialistas
- porRedação
- 05 de Março / 2026
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A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande inicia um projeto piloto de teleconsultoria assíncrona em endocrinologia com o objetivo de enfrentar a demanda reprimida por atendimentos especializados. A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz MS) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A estratégia busca qualificar o atendimento na Atenção Primária à Saúde e racionalizar os encaminhamentos para especialistas, reduzindo o tempo de espera e ampliando a resolutividade nas Unidades de Saúde da Família (USFs). A endocrinologia é uma das especialidades com maior pressão na rede pública, principalmente em casos de diabetes, distúrbios da tireoide e obesidade.
Com a teleconsultoria assíncrona, o médico da Atenção Primária envia o caso clínico por meio de uma plataforma digital e recebe a orientação do especialista sem necessidade de consulta presencial ou videoconferência em tempo real. Na prática, o modelo permite que muitos atendimentos sejam resolvidos na própria unidade de saúde, com suporte técnico especializado.
Segundo a gerente das Ações Estratégicas na Atenção Primária da Sesau, Glória Araújo, a iniciativa deve organizar melhor os fluxos de encaminhamento e fortalecer o trabalho das equipes nas unidades básicas.
“Essa estratégia vai organizar melhor a fila de encaminhamentos e dar mais suporte aos médicos da Atenção Primária, ampliando a capacidade de atendimento na rede”, afirmou.
A proposta estabelece um fluxo assistencial integrado entre Estado e Município, com responsabilidades institucionais definidas e articulação direta com a Regulação Ambulatorial. Inicialmente, o projeto não terá custos adicionais, utilizando estruturas já existentes da Secretaria de Estado de Saúde, do município e da Fiocruz, além da cooperação técnica da universidade.
Durante reunião de alinhamento realizada nesta quarta-feira (4), em Campo Grande, o técnico do Núcleo de Saúde Digital da UFSC, Marcos Aurélio Maeyama, explicou que o modelo já é aplicado em cidades de Santa Catarina, onde apresentou resultados expressivos.
“Os municípios que adotaram o modelo registraram redução de até 50% nos encaminhamentos para a atenção especializada. Tivemos locais onde filas de dois anos caíram para cerca de um mês”, destacou.
Somente em 2023, Santa Catarina registrou mais de 110 mil teleconsultorias. De acordo com o levantamento, metade dos casos foi resolvida na própria atenção básica, evitando deslocamentos e reduzindo a sobrecarga nos ambulatórios especializados.
O secretário municipal de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, ressaltou que a implantação da telessaúde em endocrinologia representa um avanço estratégico para ampliar o acesso aos especialistas e organizar a rede pública.
Segundo ele, a tecnologia permitirá que o conhecimento do especialista esteja disponível mesmo onde não há profissionais suficientes para atender toda a demanda, fortalecendo o papel da atenção primária no acompanhamento dos pacientes.
Já o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões, destacou que Campo Grande será o município piloto da iniciativa, que poderá ser ampliada futuramente para os 79 municípios de Mato Grosso do Sul.
A capacitação dos médicos da rede já foi iniciada e a previsão é que o sistema comece a funcionar ainda neste mês de março.
Rede de telessaúde em expansão
O projeto em endocrinologia se soma a uma estrutura de telessaúde já consolidada em Campo Grande. Atualmente, as 74 Unidades de Saúde da Família contam com teleinterconsulta síncrona em cardiologia e angiologia, além de telepsicologia.
O município também oferece telefisioterapia em nove unidades vinculadas ao projeto TEIAS/Fiocruz, serviços de TeleECG em parceria com o HCor e ações de teleretinografia.
Desde a implantação do Núcleo Municipal de Telessaúde, a rede já registrou mais de 7.500 teleatendimentos solicitados, ampliando o acesso da população aos serviços especializados e fortalecendo a continuidade do cuidado na atenção básica.






