Câmara dá 72 horas para Prefeitura apresentar plano contra buracos em Campo Grande

| Créditos: Foto: Reprodução/Investiga MS


A Câmara Municipal de Campo Grande estabeleceu prazo de 72 horas para que a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), comandada por André de Moura Brandão, apresente um plano emergencial para melhorar as condições das ruas da Capital.

A cobrança ocorreu durante uma sabatina do secretário na Câmara, após os vereadores relatarem ter encaminhado mais de 9 mil indicações relacionadas aos serviços de tapa-buracos. O objetivo é definir prioridades, ampliar a fiscalização e garantir transparência na execução dos reparos.

O plano prevê que, em até sete dias, a Prefeitura divulgue um mapa dos pontos críticos, com a localização dos problemas, as equipes mobilizadas e o cronograma de atendimento. Em 15 dias, deverá apresentar um balanço dos serviços realizados, incluindo locais atendidos, quantidade de reparos, fotografias e custos. Já em 30 dias, a proposta prevê uma avaliação das metas e um planejamento para a continuidade da recuperação viária.

Os vereadores também defendem a divulgação semanal dos resultados e a criação de um painel público com informações sobre os serviços, contratos, despesas e empresas responsáveis.

Operação do Gaeco e condições do asfalto

Durante os esclarecimentos, André Brandão apontou os efeitos da Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em maio, como um dos fatores que prejudicaram o andamento dos trabalhos. Segundo o secretário, uma recomendação para suspender contrato com uma empresa investigada levou à interrupção de quatro frentes de serviço, provocando uma redução de 80% na operação.

Atualmente, conforme Brandão, Campo Grande conta com 12 frentes de trabalho dedicadas ao tapa-buracos, distribuídas pelas sete regiões urbanas.

Outro problema destacado foi a idade do pavimento. De acordo com o secretário, enquanto a vida útil média do asfalto, conforme referência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), varia entre oito e dez anos, aproximadamente 53% da malha viária da Capital tem mais de 30 anos. Nesse cenário, parte das vias necessita de recapeamento, e não apenas de reparos pontuais.

Brandão também afirmou que as condições climáticas interferem no ritmo dos serviços e que a meta é normalizar a operação até o final do ano, desde que haja dias adequados para a execução dos trabalhos.

Câmara também avalia abertura de CPI

Além da cobrança por um plano emergencial, os vereadores discutem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a execução dos serviços de tapa-buracos na Capital.

O requerimento, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), recebeu a assinatura dos 29 parlamentares e está sob análise da Procuradoria Jurídica da Câmara Municipal.

A proposta de investigação busca ampliar o acompanhamento dos contratos e da aplicação dos recursos públicos destinados à manutenção das ruas de Campo Grande.

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