Câmara aprova criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano com sede em Patos

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (3) o projeto de lei que cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano, com sede em Patos (PB). O município é administrado por Nabor Wanderley (Republicanos), pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) — o que deu ao tema contornos políticos e ampliou a repercussão da votação.

A proposta foi o primeiro projeto enviado pelo governo Lula ao Congresso em 2026 e acabou incorporada a um texto mais amplo que cria cargos efetivos nos Ministérios da Educação e da Gestão. A votação foi simbólica e o relator foi o deputado Átila Lira (PP-PI). Agora, o projeto segue para análise do Senado.

Interiorização do ensino e disputa política

Em vídeo publicado nas redes sociais, Hugo Motta agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro da Educação, Camilo Santana, afirmando que a medida fortalece a interiorização da educação superior e técnica e amplia oportunidades para jovens do sertão paraibano.

Dias antes, o prefeito Nabor Wanderley também celebrou a escolha de Patos como sede da reitoria, citando localização estratégica e estrutura já existente do IF local. Pré-candidato ao Senado, Nabor busca aproximação política com o Palácio do Planalto, o que adiciona uma camada eleitoral à discussão.

O que muda na prática

O projeto altera a lei de 2008 que criou os Institutos Federais, prevendo o desmembramento do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) para instituir o novo IF do Sertão Paraibano. Se aprovado no Senado e sancionado:

O Poder Executivo editará ato para regulamentar a nova instituição;

O MEC nomeará um reitor pro tempore para a fase inicial de implantação;

Em até cinco anos, deverá ocorrer consulta à comunidade acadêmica para escolha do reitor definitivo.

Impactos esperados

A criação do novo instituto tende a ampliar vagas, cursos e presença institucional no interior do estado, com potencial de impulsionar formação técnica, empregabilidade e desenvolvimento regional. Ao mesmo tempo, o caso reacende o debate sobre critérios técnicos versus articulações políticas na definição de sedes e reitorias de instituições federais.

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