Bioparque Pantanal alcança marca histórica com reprodução de 100 espécies sob cuidados humanos
- porRedação
- 05 de Março / 2026
- Leitura: em 8 segundos

O Bioparque Pantanal atingiu um marco inédito na conservação da biodiversidade aquática ao registrar a centésima reprodução de espécie sob cuidados humanos e de forma natural. O resultado reforça o protagonismo do empreendimento sul-mato-grossense, reconhecido como o único aquário do mundo a contabilizar a reprodução de 100 espécies diferentes nessas condições, consolidando-se também como o maior banco genético vivo de água doce do planeta.
Entre as espécies reproduzidas, 32 pertencem ao bioma Pantanal, o maior número entre todos os biomas representados no projeto. O dado evidencia o compromisso da instituição com a preservação da maior planície alagável do mundo e fortalece a relevância da pauta ambiental em nível nacional.
O sucesso das reproduções é atribuído ao controle rigoroso de fatores como qualidade da água, bem-estar animal, nutrição adequada e manejo técnico especializado, elementos fundamentais para que as espécies consigam se reproduzir em ambiente controlado.
Além das espécies do Pantanal, também foram registradas reproduções de outros biomas e regiões do planeta. Ao todo, foram 31 espécies da Amazônia, 21 do Cerrado, três da Mata Atlântica, uma da Caatinga, oito africanas, uma asiática, uma mexicana e duas da Oceania.
Outro dado que chama a atenção da comunidade científica é que, das 100 reproduções registradas, 29 são inéditas no mundo e 20 inéditas no Brasil. Os números ampliam o reconhecimento internacional do Bioparque Pantanal no campo da pesquisa e da conservação ex situ, voltada para espécies mantidas fora de seu habitat natural.
A centésima reprodução registrada foi a do peixe acará-porquinho, espécie que integra o plantel do complexo e simboliza o avanço das ações de conservação desenvolvidas no local.
Espécies ameaçadas reforçam importância da conquista
Entre as espécies reproduzidas, três são classificadas como ameaçadas de extinção. Uma delas é o cascudo-viola, espécie endêmica do rio Coxim, em Mato Grosso do Sul, cuja preservação depende diretamente de iniciativas científicas e técnicas como as realizadas no Bioparque.
Também integra a lista o cascudo-cego, espécie adaptada a ambientes subterrâneos e extremamente sensível a alterações ambientais.
Outro destaque é o Axolote, anfíbio originário do México conhecido mundialmente pela impressionante capacidade de regeneração. Além do valor científico, a espécie também desperta o interesse de crianças e jovens visitantes, reforçando o papel educativo do espaço.
Laboratório vivo e berçário da biodiversidade
Grande parte dessas reproduções ocorre no Centro de Conservação de Peixes Neotropicais (CCPN), considerado um verdadeiro berçário dentro do complexo. O espaço é dedicado ao manejo técnico, monitoramento e desenvolvimento das espécies, reunindo profissionais especializados e protocolos científicos rigorosos.
O desempenho reprodutivo demonstra que o Bioparque oferece condições ideais para que os animais expressem comportamentos naturais, fator essencial para garantir a conservação das espécies a longo prazo.
Conservação que vai além do turismo
Para a diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, o resultado simboliza mais do que um avanço técnico.
Segundo ela, cada reprodução representa o resultado de ciência aplicada, cuidado com a vida e dedicação das equipes envolvidas no projeto. A diretora destaca ainda que o Bioparque se consolida como um centro de produção de conhecimento, indo muito além de um espaço de contemplação.
O trabalho também possui forte impacto educativo. Ao conhecerem as espécies e entenderem sua importância para o equilíbrio ambiental, visitantes passam a desenvolver maior consciência sobre a necessidade de preservação.
Sob coordenação do biólogo curador Heriberto Gimênes Junior, o trabalho ganha ainda mais relevância técnica. De acordo com ele, cerca de 95% das espécies foram reproduzidas de forma natural, sem o uso de hormônios ou métodos de indução.
Os resultados obtidos servirão de base para publicações científicas e projetos de educação ambiental, fortalecendo o papel do Bioparque Pantanal como referência internacional em pesquisa, conservação e turismo científico.






