Banco Master pagou mais de R$ 500 milhões a 79 escritórios de advocacia em 4 anos
- porR7
- 10 de Abril / 2026
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Os pagamentos realizados pelo Banco Master a escritórios de advocacia entre 2021 e 2024 somaram ao menos R$ 501,4 milhões, segundo apuração do R7 com base nas declarações de Imposto de Renda da instituição durante esse intervalo.
No período, pelo menos 79 escritórios (incluindo sociedades de advogados e advocacias individuais) receberam recursos do banco do empresário Daniel Vorcaro.
Os dados constam de documentos entregues pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado, no Senado. Segundo os relatórios, os pagamentos passaram de R$ 31,3 milhões em 2021 para R$ 56,6 milhões em 2022, avançaram para R$ 164,7 milhões em 2023 e atingiram R$ 248,8 milhões em 2024. De 2021 para 2024, o salto foi de quase 695%.
A maior beneficiária no intervalo foi a Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. O escritório recebeu aproximadamente R$ 80,2 milhões no período.
Embora não apareça nos registros de 2021 e 2022, o escritório passou a figurar entre os principais destinatários dos pagamentos em 2023 e 2024, quando recebeu pouco mais de R$ 40,1 milhões por ano.
Na sequência aparecem dois escritórios da Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht Sociedade de Advogados, com R$ 71,4 milhões acumulados, e o grupo Warde Advogados/Jorge Warde Advogados, que recebeu R$ 63,8 milhões no período.
Também figuram entre os maiores beneficiados:
- Gabino Kruschewsky Advogados Associados, com R$ 54 milhões;
- Alves Corrêa Verissimo Advocacia, com R$ 32,9 milhões; e
- Marcus Vinícius Furtado Coelho Advocacia, com R$ 27,5 milhões.
O R7 tenta contato com os escritórios citados na reportagem.
Polêmicas envolvendo o Master
A evolução dos pagamentos coincide com os anos finais de operação do Master, que no ano passado acabou sendo liquidado pelo Banco Central.
O banco passou a ser investigado pela Polícia Federal em 2025, sobretudo após a instituição comandada por Vorcaro vender R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB (Banco Regional de Brasília) e entregar documentos falsos ao Banco Central para tentar justificar uma negociação de venda ao BRB.
Vorcaro foi preso pela Polícia Federal duas vezes (em novembro do ano passado e março deste ano). Ele é investigado no contexto da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras envolvendo o Master.
O empresário está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e negocia um acordo de colaboração premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Polícia Federal. Vorcaro, inclusive, já assinou um termo de confidencialidade.






