Assim foi, assim é e assim será
- porPor José Carlos Manhabusco
- 13 de Outubro / 2026
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Frequentes são os discursos que prometem soluções miraculosas para os dilemas da sociedade, desdobrando-se em fórmulas mirabolantes nas esferas jurídica, política e executiva. Apontam-se os mais diversos caminhos como se, por um passe de mágica, pudessem resolver todos os problemas coletivos. No entanto, na maioria das vezes, o que se vê é mera retórica — promessas articuladas sem o genuíno compromisso com o interesse público.
O exercício do poder e a obsessão pela riqueza demandam uma reflexão simples, porém profunda: caixão não tem gavetas. O poder é por natureza temporário, e o acúmulo de bens materiais carece de valor no momento em que se encerra a jornada terrena. Quem ocupa posições de comando deveria compreender que nada se leva desta vida — a não ser a vida que se levou.
É lamentável constatar como a ascensão ao poder costuma transformar o ser humano. Ao galgarem posições de destaque, muitos esquecem suas origens e viram as costas para aqueles que os apoiaram na difícil caminhada. A busca desmedida pela fortuna passa a ser uma espécie de vício e enfermidade social, que insiste em ignorar a brevidade da nossa existência. Faria melhor o ser humano se praticasse mais e discursasse menos.
A Carta Magna de 1988 ficou conhecida no ideário nacional como a "Constituição Cidadã" — termo eternizado por Ulysses Guimarães no ato de sua promulgação, simbolizando a ruptura com o autoritarismo e a colocação dos direitos fundamentais no centro da democracia brasileira. Convocada pela Emenda Constitucional nº 26, de 1985, a Assembleia Nacional Constituinte tinha a nobre missão de refletir a redemocratização e assegurar um novo arcabouço de liberdades civis e garantias individuais.
A promessa formal era a ampliação e consolidação desses direitos. É verdade que houve conquistas significativas; contudo, no cotidiano das decisões dos Poderes Constituídos, a prática dista do discurso. A mera existência de leis que consagram garantias não assegura, por si só, a efetiva entrega da justiça a quem de direito.
Esta reflexão nasce da experiência de uma vida de lutas e conquistas pessoais, construída sempre com o valioso auxílio de seres humanos brilhantes. Ela nos força a encarar uma dura realidade: o ditado popular de que "quem pode mais, chora menos" continua válido. Aqueles que detêm o capital financeiro e o acesso às estruturas de poder permanecem em posição privilegiada para defender seus interesses.
Conclui-se, assim, que a distância entre a teoria do direito e a realidade social permanece um desafio em aberto. Feliz, portanto, é aquele que consegue navegar por esse universo sem perder a consciência de que o verdadeiro valor da vida não reside no poder ou no ter, mas no fazer ético e humano.
MANHABUSCO ADVOGADOS SS
José Carlos Manhabusco






