Assessor de desembargador afastado tinha senha para assinar sentenças
- porRedação
- 29 de Novembro / 2025
- Leitura: em 6 segundos

| Créditos: Reprodução
O desembargador Marcos José de Brito Rodrigues, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), afastado de suas funções por suspeita de envolvimento na venda de sentenças, permitia que um assessor de seu gabinete tivesse acesso ao seu token e senha pessoal. A informação consta em um relatório da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ), que serve de base para a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado.
O documento aponta que o funcionário, identificado como Marcelo, utilizava as credenciais para abrir processos e assinar decisões em nome do desembargador, um ato que o CNJ classificou como "delegação ilegal de atividade jurisdicional" e violação de sigilo funcional. As evidências incluem mensagens de WhatsApp recuperadas durante a investigação, nas quais o próprio desembargador instruía o assessor a "minutar a decisão e a assiná-la ele mesmo."
O magistrado é um dos alvos da Operação Ultima Ratio, deflagrada pela Polícia Federal em outubro de 2024, que investiga um amplo esquema de corrupção e favorecimento de empresários em troca de vantagens indevidas. O relatório do corregedor Mauro Campbell menciona, ainda, outras irregularidades praticadas pelo desembargador, como contato direto com partes fora dos autos processuais e o recebimento de presentes de alto valor de advogados com causas no tribunal.
O filho do desembargador, um advogado, também é citado no documento como um possível elo no esquema. A defesa do magistrado nega veementemente todas as acusações, alegando que sua atuação nos processos foi objetiva e que não há indícios de adesão a qualquer esquema delitivo. Apesar da defesa, o corregedor se manifestou favorável à abertura do PAD e à manutenção do afastamento cautelar do desembargador.






