Anvisa abre chamamento internacional para compra de antídoto contra intoxicação por metanol
- porR7
- 03 de Outubro / 2025
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imagem ilustrativa | Créditos: Foto: Simers
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou no Diário Oficial da União desta sexta-feira (3) o edital de um chamamento internacional para identificar fabricantes e distribuidores do medicamento Fomepizol, usado como antídoto em casos de intoxicação por metanol.
De acordo com o documento, a aquisição prevista é de ampolas de 1,5 ml, com concentração de 1.000 mg/ml.
“Atualmente, o Fomepizol não possui registro sanitário no Brasil, o que torna necessária a busca por fornecedores em outros países para atender à demanda do SUS (Sistema Único de Saúde)”, informou a agência.
Em nota, a Anvisa destacou ainda que, segundo dados do Ministério da Fazenda, há uma necessidade urgente de assegurar o abastecimento nacional do medicamento, garantindo a segurança assistencial em situações de emergência.
Bebidas falsificadas
Mais de um terço das bebidas comercializadas no Brasil em abril deste ano era forjada, adulterada ou contrabandeada. Os dados são de uma pesquisa desenvolvida pela Fhoresp (Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo), que aponta um dado alarmante: uma em cada cinco garrafas de vodca vendidas no Brasil é adulterada.
De acordo com o levantamento, os produtos mais afetados pela prática criminosa são vinhos e destilados. Para o diretor-executivo da Federação, Edson Pinto, os números demonstram “um grande esquema de adulteração em larga escala em território nacional”.
“É importante salientar, entretanto, que a grande maioria dos negócios do ramo de bares e restaurantes age de forma correta e também se torna vítima ao receber produtos adulterados de fornecedores“, ressaltou o diretor-executivo.
”De outro lado, há quem compactue com ilegalidades. Há seis meses, já havíamos alertado o mercado sobre a prática, por meio de um levantamento que nos apresentou porcentagens assustadoras de fraude“, contou.
Afinal, o que é metanol?
De acordo com o Conselho Federal de Química o metanol é um líquido incolor e inflamável usado na indústria química.
O biólogo e mestre em Ecologia Dani Gonçalves da Silva Pinheiro explica que, sob o ponto de vista biológico, o metanol é uma molécula simples (CH₃OH), que pode ser encontrada em pequenas quantidades na natureza, produzida em processos de decomposição vegetal e até mesmo por algumas frutas em fermentação.
No entanto, quando ingerido ou inalado em quantidades relevantes, torna-se um veneno potente.
“Apesar dos riscos, o metanol tem usos importantes na indústria: ele serve como matéria-prima para a fabricação de plásticos, solventes, combustíveis e até como alternativa energética em células a combustível”, frisa Dani Pinheiro.
O problema, porém, é quando esse composto começa a ser usado para adulterar bebidas alcóolicas. Após 48 horas, seu efeito pode ser mortal, como nos casos notificados até o momento.
Efeitos no organismo
Conforme o Conselho Federal de Química, a ingestão de metanol pode provocar sintomas imediatos, como náusea, vômito, tontura e depressão do sistema nervoso central. O perigo maior, no entanto, aparece nos efeitos tardios: o metanol pode causar danos permanentes à visão.
Prevenção e controle
Como não é possível identificar o metanol em uma garrafa de bebida, uma vez que ele é transparente, o ideal é sempre verificar a procedência da garrafa e desconfiar de preços muito abaixo dos praticados no mercado.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou, em entrevista coletiva nesta quinta-feira, que o governo federal trabalha em conjunto com estados e municípios, além da Anvisa, para monitorar casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas e coordenar medidas necessárias.
Padilha também pediu que os brasileiros não consumam bebidas destiladas.
“Recomendo, na condição de ministro da Saúde, mas também como médico: evite, neste momento, ingerir um produto destilado, sobretudo os incolores, que você não tem a absoluta certeza da origem dele. Não estou falando de um produto essencial para a vida das pessoas, um produto da cesta básica. É um produto que é objeto de lazer. Não faz problema nenhum na vida de ninguém evitar o consumo desses destilados”, afirmou.






