Antártida registra enorme abertura no gelo, com área próxima ao tamanho de um país

| Créditos: Foto: astize/Pixabay


Uma gigantesca área de água surgiu em meio ao gelo marinho da Antártida, chamando a atenção de pesquisadores. O fenômeno ocorreu durante o inverno de 2024 e chegou a atingir aproximadamente 89 mil quilômetros quadrados, dimensão comparável à de um país europeu.

O fenômeno é conhecido como polínia, nome dado às áreas de mar aberto que aparecem em regiões normalmente cobertas por gelo. Nesse caso, a abertura foi observada na Baía de Breid, na Antártida Oriental, onde o oceano costuma permanecer praticamente congelado durante os meses de inverno.

De acordo com estudos científicos, a formação não foi provocada por um único fator. Pesquisadores identificaram uma combinação de condições atmosféricas e oceânicas que favoreceram a redução do gelo.

Durante julho e agosto de 2024, a região recebeu a influência de seis rios atmosféricos, grandes corredores de umidade que transportaram ar mais quente e úmido para a Antártida. Ao mesmo tempo, ventos persistentes contribuíram para afastar parte do gelo marinho.

Outro elemento importante veio do oceano. A movimentação das águas provocou a subida de água mais quente das camadas profundas para a superfície, dificultando o congelamento. O local também apresentou temperaturas oceânicas muito acima do padrão esperado para aquele período.

A área aberta chegou a 89.121 km² em 4 de agosto de 2024. Segundo o levantamento científico, imagens de satélite disponíveis desde 1979 não haviam registrado anteriormente uma polínia dessa dimensão naquela região.

Embora o gelo marinho flutue e seu derretimento não provoque diretamente aumento do nível dos oceanos, sua redução pode ter consequências importantes para o equilíbrio ambiental. A cobertura de gelo funciona como uma proteção para plataformas de gelo e geleiras, além de participar de processos que influenciam o clima e os ecossistemas antárticos.

O episódio reforça a preocupação dos pesquisadores com a frequência de grandes áreas de mar aberto durante períodos em que a região deveria estar congelada. Estudos continuam sendo realizados para entender se fenômenos semelhantes poderão se tornar mais comuns nos próximos anos.

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