‘Aniversário general’: coronel da PM tinha grupo no WhatsApp com operador do PCC, aponta MP
- porRedação
- 21 de Julho / 2026
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Um grupo de WhatsApp batizado “Aniversário general”, ativo ao menos até 21 de novembro de 2023, reunia o coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Luiz Carlos Pereira Martins, e operador do PCC (Primeiro Comando da Capital) Cléber Azevedo dos Santos.
Segundo os promotores do Ministério Público de São Paulo que conduzem a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), as mensagens trocadas no grupo tinham “caráter pessoal e social, com referências a eventos e celebrações”.
Para os investigadores, o conteúdo indicaria uma relação de proximidade que ultrapassaria contatos ocasionais. A apuração também registrou que Pereira Martins teria se disposto a auxiliar os investigados e intermediar contatos com autoridades.
Pereira Martins não foi alvo da operação nesta manhã. A reportagem pediu manifestação da corporação sobre as menções ao coronel e busca contato direto com ele. O espaço está aberto.
Conforme apuração do Estadão, a partir do achado “Aniversário general”, os promotores descobriram que Cléber, operador do PCC, mantinha relação de amizade com o coronel Pereira Martins. Segundo os investigadores, o vínculo permaneceu mesmo após Cléber se tornar alvo de operações policiais de grande repercussão, como a Operação Fractal, deflagrada no fim de 2022.
Os promotores afirmam que a relação entre o coronel e o “companheiro” do PCC ultrapassava contatos ocasionais. O grupo do WhatsApp contém registros em que Pereira Martins teria se prontificado a auxiliar os investigados e intermediar negociações com autoridades e políticos.
Os investigadores também obtiveram acesso a fotos do coronel Pereira Martins e Cléber em uma confraternização com bebidas alcoólicas.
Cléber é apontado pela investigação como “companheiro” do PCC – e não como “irmão” da facção. Segundo os investigadores, o termo se refere a uma pessoa ligada às normas e à hierarquia da organização criminosa, com atuação focada no financiamento do grupo.
Investigação cita três coronéis da PM
Segundo o MP, além de Pereira Martins, os operadores do PCC mantinham vínculos com o José Augusto Coutinho – ex-comandante-geral da PM e da Rota – e “Patrício”, identificado em planilhas da facção como “cliente”.
Em uma das conversas analisadas, Cléber Azevedo dos Santos solicitou a Amjad Ahmad, outro investigado, informações sobre o saldo financeiro do esquema e afirmou precisar dos recursos para “pagar a polícia”.
Os integrantes da antiga cúpula da corporação, citados na investigação, não foram alvo da operação desta terça. O Estadão pediu manifestação dos coronéis através da assessoria de imprensa da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A reportagem também busca contato direto com os citados. O espaço está aberto.
Operação Janus
A ofensiva do Gaeco nesta terça-feira mira suspeitos de movimentar recursos do PCC por meio de entregas volumosas de dinheiro em espécie, transferências bancárias e uso de empresas e contas “laranjas”.
A investigação também aponta que parte dos alvos participava de reuniões para resolver disputas patrimoniais entre integrantes da facção, conhecidas como “tribunais do crime”.
Além das prisões e buscas, a Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores determinou o bloqueio de contas, aplicações financeiras, imóveis, veículos e outros bens dos investigados. Também foram bloqueados ativos financeiros de até R$ 10 milhões por alvo e impostas restrições patrimoniais a empresas apontadas como parte da estrutura financeira do PCC.
Os alvos de prisão da Operação Janus:
- Cléber Azevedo dos Santos
- Robson Martins de Souza
- Antonio Carlos Ubaldo Junior
- Paulo Rogério Silva, o ‘Paulo Barão’
- Odair Alves da Silveira Filho
- Leonardo Meirelles
- Marlon Antonio Fontana
- Bruno Ramos Fernandes
- Meire Bomfim da Silva Poza
- Leonardo Monteiro Moja, o ‘Léo do Moinho’
- Danillo Vinicius da Silva Rosário
- André de Souza Haddad, o ‘Minhoca’
- Antonio Carlos Sampaio, o ‘Kaka’, ‘Dakar’ ou ‘Compadre’
- Alexandre Viriato da Silva, o ‘Gordão’
- Alexandre Salles Brito, o ‘Buiu’
- Raphael Flores Rodriguez, o ‘Batata’
- Amjad Ahmad, o ‘Amin’
- Marcelo de Morais Oliveira






