Angeliquinha é presa na Bolívia após mais de um ano foragida e com condenações superiores a 260 anos


Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, foi presa na terça-feira (22), em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma ação integrada entre a Polícia Civil de Mato Grosso e autoridades bolivianas. Ela estava foragida desde agosto de 2025, quando deixou a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

Apontada pela Polícia Civil de Mato Grosso como uma das lideranças do Comando Vermelho no norte do Estado, Angélica tinha seis mandados de prisão em aberto e acumula condenações que ultrapassam 260 anos de prisão, relacionadas a crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.

De acordo com as investigações, durante o período em que permaneceu na Bolívia, a foragida teria adotado medidas para dificultar sua identificação. A polícia informou que ela utilizava um documento brasileiro com identidade diferente e havia realizado procedimentos estéticos para modificar características do rosto.

Uma das principais condenações ocorreu em março de 2025, quando Angeliquinha recebeu pena de 99 anos e 11 meses de prisão pela morte de quatro trabalhadores da construção civil em Nova Monte Verde (MT). Segundo as investigações, os trabalhadores teriam sido confundidos com integrantes de uma facção rival.

A Polícia Civil também atribui a Angélica influência sobre atividades criminosas em Alta Floresta, Nova Bandeirantes e municípios da região, incluindo tráfico de drogas, extorsões e atividades relacionadas a garimpos. Essas informações são atribuídas às investigações e declarações de autoridades policiais.

A captura contou com equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Gerência Estadual de Polinter (Gepol), além das forças de segurança da Bolívia. Após a prisão, Angeliquinha foi encaminhada para Corumbá (MS) e entregue à Polícia Federal, aguardando os procedimentos para o retorno a Mato Grosso.

A investigação também está relacionada à Operação Showdown, deflagrada em março de 2026 para apurar a atuação de familiares de Angeliquinha e a movimentação financeira do grupo. Segundo a Polícia Civil, foram identificados mais de R$ 20 milhões movimentados em aproximadamente um ano e sete meses, além de 31 ordens judiciais cumpridas, entre prisões, buscas, bloqueios de contas e sequestro de bens.

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