“Adultização Precoce: Onde Está o Conselho Tutelar?”
- porAlcina Reis
- 12 de Agosto / 2025
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| Créditos: Imagem: Adobe Stock
O vídeo do humorista Felca, que ultrapassou 27 milhões de visualizações no YouTube, escancarou um problema que muitos fingem não ver: a crescente adultização de crianças e adolescentes na internet. A repercussão foi tamanha que sete Projetos de Lei (PLs) foram apresentados na Câmara dos Deputados para tentar frear essa exploração digital. Mas, enquanto políticos discutem medidas paliativas, meninas de 10 anos são sexualizadas em trends do TikTok, garotos são expostos a desafios perigosos, e influencers mirins reproduzem comportamentos de adultos em troca de likes.
A ministra Gleisi Hoffmann (PT) até fez um apelo às plataformas digitais, pedindo que a internet deixe de ser "uma arma nas mãos de pedófilos e criminosos". Mas será que basta criminalizar algoritmos? Onde estão os Conselhos Tutelares nessa história?
O Absurdo da Adultização e Seus Riscos
A adultização não é apenas sobre crianças usando maquiagem pesada ou roupas de adulto. É sobre erotização precoce, exposição a conteúdos impróprios, incentivo a comportamentos de risco e a mercantilização da infância. Canais infantis no YouTube vivem de unboxings caríssimos, enquanto pais transformam filhos em produtos. Nas redes sociais, meninas de 12 anos imitam poses sensuais de influencers, e algoritmos as jogam para públicos perigosos.
Segundo especialistas, a exposição excessiva e a adultização podem levar a:
Transtornos psicológicos (ansiedade, depressão, distúrbios de imagem);
Aumento do risco de abuso sexual (pedófilos se aproveitam de conteúdos "inocentes");
Perda da infância (crianças que pulam etapas essenciais do desenvolvimento).
E o Conselho Tutelar? Cadê Ação Concreta?
A pergunta que não quer calar: onde estão os Conselhos Tutelares? Criados para proteger crianças e adolescentes, muitas vezes parecem invisíveis diante de casos escandalosos. Enquanto uma mãe perde a guarda do filho por não poder comprar um remédio, influencers mirins são explorados ao vivo e a cores, e ninguém faz nada.
Quase nada se vê divulgando ações efetivas do Conselho Tutelar no Brasil contra a adultização infantil. Se sua função é zelar pelos direitos das crianças, por que não há campanhas massivas, fiscalizações rigorosas ou punições exemplares para quem lucra com essa exploração?
Os conselheiros deveriam ser mais atuantes e agressivos no enfrentamento desse problema. Afinal, não basta esperar denúncias: é preciso ir atrás, monitorar canais suspeitos, responsabilizar pais e plataformas, e agir antes que mais crianças sejam prejudicadas.
Precisamos Agir, Não Só Discutir
Projetos de Lei são importantes, mas não adiantam sem ação. É preciso:
Fiscalização rigorosa das plataformas e dos responsáveis por crianças expostas;
Conselhos Tutelares atuantes, que não só reajam a denúncias, mas ajam preventivamente;
Conscientização dos pais, que muitas vezes são cúmplices (inconscientes ou não) dessa exploração.
Enquanto uma criança é transformada em produto, o futuro de uma geração está em jogo. Até quando vamos fechar os olhos?
Por Alcina Reis

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