Acionistas Validam Reorganização Financeira de R$ 61,4 Bilhões da Raízen

| Créditos: Raízen Divulgação


Os acionistas da Raízen aprovaram as etapas fundamentais para a execução de seu plano de recuperação extrajudicial, estruturando um passivo estimado em R$ 61,4 bilhões. O acordo, que contou com o respaldo expressivo de 81,6% dos credores, marca um ponto de virada importante para a reorganização financeira do grupo sucroenergético e de distribuição de combustíveis.

Pontos Principais da Reestruturação

Conversão de Dívidas: Cerca de 45% dos créditos abrangidos pela reestruturação serão transformados em participações acionárias (ações) da companhia. Os 55% restantes serão renegociados por meio de novos títulos de dívida.

Aporte e Injeção de Capital: O plano prevê um robusto aumento de capital que pode oscilar entre R$ 3,5 bilhões e R$ 39,8 bilhões. Desse total, um dos principais acionistas de peso injetará R$ 3,5 bilhões, enquanto outro grupo investidor ligada a uma das principais lideranças acionárias contribuirá com aproximadamente R$ 500 milhões.

Divisão Societária: Com a reestruturação, a corporação será desmembrada em duas frentes independentes:

Raízen Energia: Voltada exclusivamente para a produção, processamento e comercialização de açúcar, etanol e bioenergia.

Raízen S.A.: Focada na distribuição de combustíveis e lubrificantes sob a bandeira da marca Shell.

Impactos Regionais e Histórico de Desinvestimentos

O processo de ajuste financeiro e a crise enfrentada pelo setor geraram reflexos operacionais importantes, sobretudo no estado de Mato Grosso do Sul. Para honrar compromissos e enxugar o portfólio, a empresa realizou importantes desinvestimentos na região ao longo dos últimos meses:

Venda de Unidades Produtivas: No segundo semestre de 2025, as usinas Rio Brilhante e Passa Tempo foram negociadas por R$ 1,543 bilhão, englobando instalações industriais e canaviais com capacidade de processar cerca de seis milhões de toneladas de cana por safra.

Encerramento das Atividades no Estado: Posteriormente, a empresa negociou a Usina Caarapó por R$ 705 milhões, transferindo definitivamente os ativos e concluindo a desmobilização de suas operações industriais de açúcar e etanol em solo sul-mato-grossense.

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