
| Créditos: Charge: Latuff Zozo Brasil 247
"Resgatar a economia brasileira", dizem — com a cabeça baixa, a mão estendida e os joelhos no chão. Essa frase, que deveria ser um brado de independência, virou um mantra de submissão. O que vemos, na prática, é um país sendo empurrado ladeira abaixo enquanto os interesses de uma única família valem mais que os de 210 milhões de brasileiros.
Com a taxação de 50% imposta pelo governo Trump, esperava-se reação diplomática firme, altiva, técnica. Mas o que recebemos foi silêncio, conivência e, para piorar, vantagens judiciais suspeitamente alinhadas com os interesses dos Bolsonaro. A pergunta que grita no peito dos que ainda pensam neste país é: que compensação haverá para o povo brasileiro, bolsonarista? Onde está o benefício prometido? Ou a promessa sempre foi só para os de dentro do clã?
“Ou isso ou o Brasil continuará refém, até porque o pai dele (Eduardo Bolsonaro) é mais importante que os duzentos e dez milhões de brasileiros”, disse Fábio Trad — e o silêncio após essa frase deveria ecoar mais alto que qualquer discurso patriótico de palanque.
A direita, em sua essência, jamais se confundiu com servilismo. Tampouco a crítica a Bolsonaro pode ser traduzida como apoio velado a Lula. O que está em jogo aqui não é eleição, é soberania. É o futuro de milhões que vão perder o emprego, a dignidade e o mínimo para sobreviver enquanto a República é sequestrada por vínculos familiares e acordos obscuros.
Se ajoelhar diante de Trump não é estratégia — é humilhação. Não se resgata uma economia vendendo a alma do país. E você, bolsonarista, ainda acredita que é pelo Brasil?
Porque tudo indica que vocês lutam, apenas, por um homem.
(Deixo claro: não se trata de uma defesa velada a Lula, muito menos de um ataque genérico à direita. É sobre o jogo sujo de quem coloca o próprio umbigo acima da nação.)
por Alcina Reis
por Alcina Reis






