“A Jogada Mestra de Azambuja no PL”
- porAlcina Reis
- 08 de Novembro / 2025
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A política, muitas vezes, assemelha-se a um xadrez de alta complexidade, onde cada movimento é calculado e as peças sacrificadas podem redefinir o jogo. No Mato Grosso do Sul, o tabuleiro eleitoral do Senado está sendo agitado por um rumor que, se confirmado, promete reconfigurar alianças e fragilizar posições: a possível "dobradinha" entre o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado Capitão Contar.
Com a sabedoria popular nos lembrando que "cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém", os bastidores políticos de MS fervilham com a especulação. Fontes indicam que Reinaldo Azambuja (PL), buscando uma chapa forte para a corrida ao Senado, estaria avaliando seriamente uma aliança com Capitão Contar, uma das figuras mais proeminentes da direita no estado.
A Força da Direita e o Xadrez do PL
A união Azambuja-Contar não seria apenas uma soma de votos, mas um realinhamento estratégico que teria um impacto imediato no cenário eleitoral. A consequência mais notável, segundo os analistas, seria o provável descarte do atual senador Nelsinho Trad (PSD) dos planos prioritários do grupo político de Azambuja, indicando que a vaga de Trad estaria ameaçada por essa nova articulação.
A chave dessa movimentação reside no papel de Azambuja como comandante do Partido Liberal (PL) em MS, sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro. Contar, por sua vez, enxerga essa aproximação sob uma perspectiva de reconhecimento da força da direita.
O que diz Contar: "Eu nunca fui do grupo de Reinaldo e não devo a eles qualquer favor ou compromisso político. Quando se fala em possibilidade de dobradinha para o Senado, avalio que Reinaldo entendeu o tamanho e a força da direita e também o seu papel dentro do partido de Jair Bolsonaro. Estar à frente do PL é uma grande responsabilidade, pois os eleitores mais conservadores têm neste partido a esperança do continuismo do legado deixado pelo ex-presidente..."
O ex-deputado interpreta o possível convite como um selo de compromisso de Azambuja com o eleitorado conservador sul-matogrossense, reforçando a missão que Bolsonaro lhe delegou ao entregar o comando do PL. Contar, que busca um partido "viável" para sua candidatura ao Senado, se sente honrado com a possibilidade e prefere uma "dobradinha com Jair Bolsonaro", seu "líder e mentor".
O Enigma: Azambuja e Contar, Frentes Opostas
Apesar do interesse estratégico de Azambuja em construir uma chapa forte, a aliança levanta uma questão central: Contar aceitaria o convite? Afinal, o ex-deputado sempre manteve um discurso de forte oposição e crítica ao grupo político do ex-governador.
Enquanto correligionários de Azambuja garantem que o ex-governador não costuma errar em suas estratégias, a aceitação de Contar dependerá da superação dessas barreiras históricas e ideológicas no estado.
Os Próximos Passos:
Viagem a Brasília: Contar já tem agendado para a próxima semana um encontro com os líderes nacionais do PL, Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho. É neste momento que ele deve receber o convite para a "dobradinha" e o retorno ao partido de forma oficial.
A Decisão: Caso as conversas avancem na capital federal e Contar vá para o PL, a chapa se consolida, jogando as cartas eleitorais de MS para o alto.
E Nelsinho Trad?
Se a especulação da aliança Azambuja-Contar se concretizar, o futuro político do atual senador Nelsinho Trad (PSD) se torna o grande ponto de interrogação. Deixado de lado pelo grupo que o elegeu, Trad precisará reavaliar sua estratégia. Ele teria de buscar novos aliados de peso ou partir para uma disputa mais independente, enfrentando não apenas seus adversários tradicionais, mas também uma poderosa chapa que uniria a força da máquina política de Azambuja com a popularidade e o apelo da direita de Contar.
O tabuleiro está montado, mas a rainha do jogo, a decisão final, ainda não foi movida.
Por Alcina Reis






