“A Farsa da Cidade sem Favelas”
- porAlcina Reis
- 14 de Novembro / 2025
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| Créditos: Arquivo pessoal
A pergunta ecoa como um espanto diante de uma afirmação que teima em ressurgir, vestida agora com a roupagem de preocupação legislativa. Um vereador da cidade promove uma audiência pública sobre a regularização de 62 favelas, um ato louvável, sem dúvida. No entanto, a base para esse debate parece fincada em um solo pantanoso de memória seletiva.
Ao comentar sobre o tema, o parlamentar soltou a pérola: “Há pouco mais de 10 anos não tínhamos favelas em Campo Grande, tínhamos zerado, e agora, elas voltaram a se proliferar.”
O senhor vereador está gravemente mal informado. Ou pior: está reproduzindo uma narrativa conveniente que foi plantada em noticiários da época por motivos que não podiam ser outros senão eleitoreiros.
Eu, Alcina Reis e a Pastora Janete Morais, somos testemunha ocular dessa história. E o nosso trabalho no Instituto Veredas da Fé, é prova viva de que essa “cidade sem favelas” nunca existiu. Enquanto a falsa informação corria solta nas mídias, lá estávamos nós, com o Instituto, atendendo mais de 30 comunidades carentes só na capital. Isso sem contar as aldeias indígenas e as clínicas para dependentes químicos que também recebiam nosso apoio.
Detalhe! Apesar de que estávamos totalmente regularizados, jamais recebemos um centavo que fosse em emendas ou qualquer outro tipo de ajuda governamental.
O Instituto Veredas da Fé não era um fantasma. Foi uma ONG que atuou por uma década em Mato Grosso do Sul, realizando campanhas concretas para atender essa população esquecida pelo poder público. Campanhas como a “PÁSCOA SOLIDÁRIA”, distribuindo ovos de chocolate e cestas básicas; a “FESTA JUNINA SOLIDÁRIA”, levando alegria e agasalhos; a “CAMPANHA DO AGASALHO”; a “CAMPANHA DO QUILO” para reforçar a alimentação; e os “ENCONTROS DE MULHERES”, oferecendo palavras de fé e acolhimento. Todas essas ações, documentadas em redes sociais como o perfil da pastora, são registros incontestáveis de que a pobreza e a ocupação irregular eram uma realidade pulsante na mesma época em que propagavam o mito da erradicação.
A pergunta que fica é: zeraram para quem? Para os olhos de quem não queria ver? Para as estatísticas de gestões que precisavam de um feito eleitoral?
É nobre a iniciativa de buscar soluções para a habitação. É um direito da população. Mas é fundamental que esse debate parta da verdade. A favela não “voltou a se proliferar”. Ela sempre esteve aqui, crescendo à sombra do descaso, apenas invisibilizada por um discurso oficial que a empurrou para debaixo do tapete.
Não, vereador. Campo Grande nunca esteve livre de favelas. Não teve! A memória é teimosa e o trabalho como do Instituto Veredas da Fé é a prova documental de que a cidade real sempre foi diferente da cidade propagada. Que o senhor e todos que repetem esse equívoco busquem essas informações antes de falar. Só assim a discussão poderá ser, de fato, honesta e eficaz.
È preciso agira com a boa política mas não com politicagem!
Por Alcina Reis

| Créditos: Arquivo pessoal






