A Dança das Cadeiras Sem Música

| Créditos: IA /Conteúdo MS


Nos bastidores da política de Brasília, o relógio parece andar em uma frequência própria, imune ao ritmo do calendário real. Mal as conversas se consolidam sobre um tabuleiro, e já se começam a arranjar as peças do seguinte. A vítima — ou protagonista — da vez nas especulações de corredor é a senadora Tereza Cristina.

Se você acompanhar as conversas de pé de ouvido na capital, Tereza Cristina é uma espécie de coringa multifuncional. Há quem cante a pedra de sua candidatura à presidência do Senado. Outros, com olhar voltado para o cenário internacional, já articulam seu nome para comandar o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. E, para os mais saudosistas da gestão passada, não falta quem garanta que o caminho natural seria o retorno à sua antiga casa, o Ministério da Agricultura.

O papel aceita tudo, e o rumor político, mais ainda. Mas basta um sopro de pragmatismo para perceber que esse festival de palpites se equilibra sobre o vazio.

Pode não parecer para os apressados de plantão, mas ainda há muita água para passar por baixo dessa ponte. Estamos no meio de um processo eleitoral vibrante e incerto, onde o segundo turno nem sequer se definiu, quanto mais se resolveu. Traçar organogramas ministeriais ou projetar a mesa diretora do Congresso neste momento é como encomendar o terno antes de saber se haverá festa — ou quem será o noivo.

Apenas quando as urnas forem apuradas, a fumaça das eleições baixar e — e somente se — Flávio Bolsonaro sair vitorioso, é que esses cenários ganharão alguma densidade de realidade. E mesmo assim, restará a variável mais importante de todas, que as especulações costumam ignorar com rara leviandade: o desejo da própria Tereza Cristina. Resta saber se ela estaria disposta a trocar o peso e a autonomia de seu mandato no Senado pelas incertezas da Esplanada ou pelos desgastes de uma eleição interna.

Até lá, as apostas seguem animando as mesas de café da capital. Entre um boato e outro, o eleitor assiste à dança das cadeiras — sem perceberem que a música, na verdade, ainda nem começou a tocar.

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