
| Créditos: Reprodução/ Nas estradas do planeta
Vivemos um tempo em que o Brasil se torna palco de um embate tóxico — não só interno, mas com repercussão global. De um lado, a vergonha do escândalo do INSS e as falhas do governo Lula só agravam a insatisfação; do outro, o STF coleciona erros que desafiam nossa já abalada confiança institucional. Mas não é por isso que precisamos sair pedindo socorro para Trump.
Nos bastidores, Eduardo Bolsonaro — filho do ex‑presidente — está nos EUA, articulando apoio para um pai que ainda não se conformou com a derrota. Ele aponta para “judiciário abusivo”, tenta pressionar o Congresso americano e se aproxima cada vez mais do jogo que Trump insiste em fazer no Brasil.
E aí vem Trump, firme em sua postura intervencionista: “Conheci e me relacionei com o ex‑presidente Jair Bolsonaro… a forma como o Brasil tem tratado o ex‑presidente… é uma vergonha internacional. Esse julgamento… uma caça às bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!” Já citou Lula por impor processo contra Bolsonaro e anunciou nada menos que 50% de tarifa sobre as exportações brasileiras — sanção unilateral que atinge os brasileiros, sobretudo os trabalhadores, os agricultores, os exportadores.
Portanto, não é só um amigo de Bolsonaro chorando pelo parceiro político: é uma tentativa explícita de interferir em nossa soberania. Trump jogou esse peso sobre nossos ombros — e nós, mais uma vez, pagaremos a conta.
Enquanto isso, seguimos presos entre dois polos do radicalismo: o bolsonarismo e o lulismo — ambos tóxicos, ambos colocando seus líderes acima do Brasil. Bolsonaro e Lula, cada um a seu modo, ignoram os reais desafios do país — inflação, desemprego, educação, saúde pública — para alimentar os ventos do ódio e da polarização. O extremismo virou moeda corrente.
E não faltam provas: os atos de 8 de janeiro, quando o STF foi atacado, já nasceram de uma retórica inflamável dos que sentem que “perderam” as eleições — movimentos coordenados que ecoam o que vimos no Capitólio norte-americano, adaptado à nossa cara.
Então, a que ponto chegamos? Seremos os tolos que aceitarão ser governados por Trump, simplesmente porque ele defende Bolsonaro? Aceitaremos nossa soberania ser usurpada por discursos externos ainda mais estranhos?
Se não acordarmos, o verde e amarelo podem mesmo virar apenas uma lembrança. E, no lugar dele, talvez nos resta saudar o azul e vermelho de uma bandeira que não é nossa.
O Brasil merece mais do que isso. Merece líderes que olhem para o país, e não apenas para seus umbigos. Antes que seja tarde.
Radicalismo é tóxico. Quem o alimenta com olhos vendados será responsável por levar o povo para a “vida de gado”, povo marcado e feliz sob os grilhões alheios.
Brasil, acorde. Ou entregaremos nosso destino nas mãos de quem jamais amarrou suas botas nestas terras.
Por Alcina Reis

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