“A Cidade, a Chuva e a Memória Curta”
- porAlcina Reis
- 25 de Julho / 2026
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| Créditos: IA /Conteúdo MS
Andar pelas ruas de Campo Grande em dias de chuva forte tem sido uma experiência de paciência e resiliência. Negar que a cidade está enfrentando sérios problemas com crateras e asfalto esburacado seria tapar o sol com a peneira. O prejuízo dos motoristas com pneus rasgados, suspensões quebradas e o caos no trânsito urbano são reais, visíveis e dolorosos no bolso do cidadão. A insatisfação popular, nesse ponto, não apenas faz sentido, como é um direito legítimo de quem paga seus impostos e deseja vias trafegáveis e seguras.
Contudo, para que o debate seja honesto, é preciso colocar as cartas na mesa com alguma perspectiva histórica. O drama dos buracos em Campo Grande não nasceu ontem, nem é um privilégio exclusivo da atual gestão de Adriane Lopes. Há décadas a capital convive com uma estrutura pavimentada fragilizada, fruto de camadas de asfalto de baixa qualidade aplicadas no passado, muitas vezes sem a drenagem adequada para suportar o rigor das tempestades tropicais que costumeiramente atingem o Cerrado.
O asfalto de hoje cobra a conta da engenharia do passado. As chuvas volumosas apenas escancaram as feridas de um solo que há anos recebe remendos sobre uma base já comprometida pelo tempo e pelo fluxo cada vez maior de veículos.
Atribuir a culpa de um colapso estrutural histórico a uma única gestora pode ser o caminho mais fácil para o desabafo nas redes sociais, mas passa longe da justiça dos fatos.
Quem acompanha diariamente os canais oficiais de comunicação do município, como as divulgações do CG Notícias, observa que a Prefeitura não tem se mantido omissa. Equipes de manutenção estão cotidianamente nas ruas em mutirões de tapa-buracos e frentes de recapeamento definitivo em diversos bairros e avenidas estratégicas da capital.
Diante desse cenário, cabe a reflexão: será que mais uma vez a população está indo na onda coletiva, atribuindo a responsabilidade de um erro que vem de muitos governos anteriores a apenas uma gestora?
Sejamos justos e lembremos aos moradores que esse não é um caso isolado, mas sim o reflexo de asfaltos de péssima qualidade do passado que hoje não suportam nem o tráfego pesado nem o volume pluviométrico.
Eita, Adriane... Você não é a prefeita perfeita! Aliás, perfeição na política é espécie em extinção (se é que algum dia existiu). Mas cá entre nós: acompanhando diariamente a movimentação da Prefeitura, é preciso admitir que omissão não é a palavra aqui. Os mutirões de tapa-buraco e as obras de recapeamento estão aí, noticiados quase diariamente e acontecendo no asfalto real.
O problema é quando a reclamação legítima do cidadão vira a chave, deixa de ser uma cobrança justa sobre infraestrutura e descamba para o ataque pessoal e a desqualificação gratuita.
Aí a gente precisa intervir.
Afinal, ver mais uma vez uma mulher ocupando espaço de poder ser alvo desse tipo de desrespeito e agressão é algo que não dá mais para aceitar.
Crítica à gestão? Sempre. Ataque pessoal e misoginia? Já chega disso!
No final, o que o campo-grandense realmente quer não é saber de quem é o buraco.
Quer apenas que ele seja tapado.
Por Alcina Reis






