A bonita arte de envelhecer: saúde e autonomia são construídas ao longo da vida

| Créditos: Arquivo pessoal


No dia 1º de outubro, o mundo celebra o Dia Internacional da Pessoa Idosa, uma data que vai além das homenagens e convida à reflexão sobre uma questão que diz respeito a todas as gerações: como queremos envelhecer?

Com o aumento da expectativa de vida, o desafio da longevidade deixou de ser apenas viver mais anos. A preocupação passa a ser também garantir que esses anos sejam acompanhados de saúde, autonomia, lucidez, vínculos sociais e disposição para continuar participando ativamente da vida.

Para a geriatra Ana Sawaris, o envelhecimento saudável não começa somente quando uma pessoa chega aos 60 ou 70 anos. Ele é resultado de escolhas e cuidados construídos ao longo de toda a trajetória.

A especialista destaca que não existem fórmulas extraordinárias para envelhecer bem. Entre os principais cuidados estão uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividades físicas, sono adequado, estímulo à mente, manutenção de bons relacionamentos e a existência de propósitos que deem significado à vida.

Um dos pontos centrais desse processo é a autonomia. Envelhecer bem não significa necessariamente chegar à velhice sem doenças, mas preservar, sempre que possível, a independência, a capacidade de tomar decisões e a liberdade para conduzir a própria vida.

É justamente esse olhar integral que caracteriza a geriatria, que considera não apenas as doenças, mas o conjunto de aspectos físicos, emocionais, sociais e funcionais que fazem parte da vida da pessoa idosa.

Respeito também significa permitir escolhas

O cuidado com a população idosa também depende da família e da sociedade. Respeitar uma pessoa mais velha significa ouvi-la, reconhecer sua experiência e permitir que continue participando das decisões que dizem respeito à própria vida.

O avanço da idade não reduz a dignidade, a importância ou o direito de escolha de ninguém.

Também é necessário superar a ideia de que envelhecer representa apenas perdas e limitações. Pessoas com 70, 80 ou 90 anos continuam estudando, trabalhando, viajando, ensinando, convivendo e iniciando novos projetos.

Cada indivíduo envelhece de uma maneira diferente e não existe uma idade determinada para abandonar sonhos, planos ou objetivos.

Prevenção começa antes da velhice

Embora fatores como genética, doenças e condições sociais também tenham influência sobre o processo de envelhecimento, existem cuidados que estão ao alcance de cada pessoa.

Nesse contexto, a prevenção ganha importância. Cuidar da saúde antes que os problemas apareçam pode contribuir para preservar a qualidade de vida e a independência ao longo dos anos.

Por isso, o Dia Internacional da Pessoa Idosa não é uma data destinada somente a quem já chegou à terceira idade. É uma oportunidade de reflexão para todas as gerações.

Afinal, quem tem o privilégio de viver muitos anos caminha naturalmente para essa etapa da vida.

Envelhecer é parte da existência. Fazer desse processo uma trajetória com saúde, autonomia, vínculos e propósito é uma construção diária. A pessoa idosa que seremos amanhã começa a ser cuidada pelas escolhas que fazemos hoje.

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