“126 Razões para Chamar de Nossa”

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Há 126 anos, o solo vermelho que pintaria o mundo de cerrado ganhava um novo marco. Não foi um marco de concreto, mas de esperança. O que nasceu como um arraial simples, abraçado por rodas de conversa e o calor acolhedor do fogo de chão, hoje pulsa como o coração de um estado inteiro. Campo Grande completa mais um ano, e sua maior beleza não está no que se vê de passagem, mas no que se sente ao pertencer.

Dizem por aí que nos definimos pelo tereré gelado e pelo sobá, prato da culinária japonesa adaptado que se tornou ícone local, feito com macarrão de trigo sarraceno em um caldo quente e fragrante, coroado com fatias de carne, cebolinha e omelete. E é verdade, são sabores e rituais que nos unem. Mas somos um caldeirão cultural muito mais rico e fervilhante. Somos a força ancestral que emana das aldeias urbanas, o conhecimento milenar dos povos originários que é a base da nossa identidade. Somos a coragem e a resistência da população trans, que colore nossas ruas com a bandeira do respeito e da diversidade, mostrando que aqui cabem todos os sonhos.

Somos o berro do gado no curral, a poeira que sobe das estradas e a força da pecuária que move nossa economia e forja um povo trabalhador, de fibra. Somos o entroncamento da nação, o coração da Rota Bioceânica, o ponto estratégico onde o Brasil se conecta com o mundo, batendo no centro do mapa com orgulho.

Nossa essência é a do acolhimento. A cidade que recebeu gentes de todos os cantos do Brasil e do mundo, e teceu com cada um deles uma nova história. Uma metrópole do interior, onde o progresso convive com a tranquilidade de se conhecer o vizinho, de cumprimentar na rua, de celebrar juntos o pôr do sol alaranjado que é nossa moldura diária.

Campo Grande é oportunidade. É a universidade que forma mentes brilhantes, o hospital de referência que cuida de vidas, o comércio que prospera e a cultura que não para: é o cururu na queima do alho, o siriri no arraial, o sarau na praça, a exposição na galeria.

Celebrar 126 anos é celebrar cada um de nós. O motoboy, a pecuarista, a mestra, a artesã, a enfermeira, o estudante. É lembrar que nossa população merece e exige respeito, pois constrói, todos os dias, uma cidade melhor. Uma cidade que não é perfeita, mas é nossa. Com seu ritmo próprio, seu cheiro de mato molhado depois da chuva e seu céu estrelado que parece o maior do mundo.

Parabéns, Campo Grande! Por suas 126 primaveras, mas, principalmente, por cada um de nós, que somos a sua verdadeira razão de ser. 

O seu orgulho. A sua força. A sua gente.

Por Alcina Reis

Jornalista Alcina Reis | Créditos: Arquivo pessoal

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