Violência Escancarada! Agosto Lilás alerta MS: 20 feminicídios em 2025

| Créditos: Joédson Alves/Agência Brasil


Mato Grosso do Sul encerrou o mês de julho com a triste marca de 20 feminicídios registrados em 2025. A última vítima foi Cinira de Brito, assassinada em Ribas do Rio Pardo, um dia antes do início do Agosto Lilás — mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher.

A sequência de crimes inclui casos brutais como o de Juliete Vieira, morta em Naviraí, além de diversas mulheres assassinadas em diferentes municípios do estado. Até o fim de maio, já haviam sido contabilizados 14 feminicídios consumados e 26 tentativas, revelando uma média de quase dois assassinatos por mês. Em 2024, o total chegou a 35 casos, o que mostra que o ritmo de 2025 segue alarmante.

Além das mortes, a violência de gênero se apresenta em outras formas: nos primeiros dois meses do ano, quase 3 mil mulheres denunciaram situações de violência doméstica, com uma média diária de 56 vítimas. Em Campo Grande, até maio, foram registrados mais de 7 mil boletins de ocorrência, com oito feminicídios confirmados apenas na capital.

Mato Grosso do Sul figura entre os estados com as mais altas taxas de feminicídio do país, superando a média nacional. Os números mostram que, apesar de campanhas, leis e medidas protetivas, o enfrentamento à violência contra a mulher continua falhando em prevenir os casos mais graves.

A realidade é ainda mais cruel quando se constata que muitas vítimas já haviam buscado ajuda. Há casos em que mulheres possuíam medida protetiva e, mesmo assim, foram mortas. Outros relatos apontam para a omissão de vizinhos, familiares e até de órgãos públicos diante de sinais claros de perigo.

A impunidade, o silêncio e a cultura machista continuam sendo pilares que sustentam esse ciclo de violência. Não basta punir após o crime consumado — é preciso atuar de forma incisiva na prevenção. O Estado deve garantir agilidade na concessão de medidas protetivas, estrutura adequada para acolhimento das vítimas e fiscalização eficiente das políticas públicas voltadas ao tema.

A sociedade, por sua vez, precisa abandonar a indiferença. Denunciar, acolher, orientar e proteger são atitudes que podem salvar vidas. A educação também tem papel fundamental: desde cedo, é preciso combater o machismo estrutural, promover o respeito e ensinar que o amor não se constrói com controle, medo ou violência.

Enquanto as campanhas de agosto ganham espaço nas redes sociais e nos discursos institucionais, 20 mulheres já perderam a vida em Mato Grosso do Sul neste ano. Essa marca, antes de ser um número, carrega histórias, famílias destruídas e um alerta: é preciso fazer mais. 

E com urgência.


Por Alcina Reis

| Créditos: Arquivo pessoal/Alcina Reis

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