Vereador causa polêmica ao criticar cartilha de acolhimento a gestantes trans

| Créditos: Foto: Izaías Medeiros/CMCG


O vereador André Salineiro (PL) provocou uma onda de debates e críticas nas redes sociais após manifestar-se, na Câmara Municipal de Campo Grande, contra um protocolo interno da Maternidade Cândido Mariano. O material em questão, denominado "Protocolo Acolhimento a Transsexuais Grávidos", foi elaborado para orientar os profissionais de saúde a oferecerem um atendimento humanizado e individualizado, seguindo a Política Nacional de Humanização (PNH), enfatizando o respeito ao nome social e à identidade de gênero da pessoa gestante.

O parlamentar classificou o documento como uma "bizarrice" e "vergonha", expressando choque ao receber o conteúdo que, segundo ele, retrata um homem trans em processo de amamentação. Salineiro questionou publicamente a validade do protocolo com base em argumentos biológicos e alegou que a exposição de tal informação poderia levar à "confusão" em crianças.

Em resposta à declaração do vereador, influenciadores e ativistas da comunidade LGBTQIA+ utilizaram suas plataformas digitais para refutar o posicionamento. A influenciadora Maria Fernanda Cabral, conhecida como Mafê, rebateu o vereador, ressaltando que homens trans podem engravidar e amamentar, merecendo atendimento digno no Sistema Único de Saúde (SUS).

Mafê compartilhou o relato de Cleyton Bitencourt, um homem trans que gestou e amamentou seus dois filhos, que descreveu ter vivenciado olhares estranhos e "transfobia disfarçada" por parte de alguns profissionais de saúde. Ele destacou a revolta em ver tentativas de "apagar" as vivências da comunidade, mesmo diante de avanços na área da saúde.

A professora e artista Emy "Afro Queer" Santos também se manifestou, sugerindo que os ataques de Salineiro à população trans e travesti seriam uma tática para desviar o foco de seu desempenho como vereador, em face de problemas públicos como a falta de medicamentos e as longas filas de atendimento na saúde municipal. Ela reforçou que homens transmasculinos que gestam possuem amparo legal para atendimento no SUS, como qualquer outro cidadão.

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