Trump reforça convite para Lula integrar Conselho de Paz para Gaza

| Créditos: @ricardostuckert

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou nesta terça-feira (20) o convite para que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integre o recém-criado Conselho de Paz para Gaza. Durante coletiva de imprensa, o republicano afirmou ter apreço pelo líder brasileiro e destacou que Lula poderá desempenhar um papel relevante no novo organismo internacional.

“Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no Conselho de Paz de Gaza”, declarou Trump.

Na mesma ocasião, o presidente norte-americano voltou a criticar a Organização das Nações Unidas (ONU) e afirmou que o novo conselho poderia, inclusive, substituir o organismo multilateral. Segundo Trump, a ONU não tem cumprido o papel esperado na resolução de conflitos internacionais. “Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca esteve à altura desse potencial”, afirmou, ao mencionar guerras que, segundo ele, foram encerradas sem a atuação da entidade.

Governo brasileiro avalia convite

O governo brasileiro confirmou que recebeu oficialmente o convite na última sexta-feira (16), mas informou que o presidente Lula ainda não tomou uma decisão sobre a participação no conselho. De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, a adesão será analisada com cautela, considerando aspectos geopolíticos, diplomáticos e financeiros.

O tema foi discutido em reunião entre Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na manhã de segunda-feira (19), no Palácio do Planalto. A equipe presidencial analisa o documento enviado pelo governo dos Estados Unidos e não há prazo definido para o envio de uma resposta.

Entre os principais pontos em avaliação estão a composição do conselho, os países que devem aderir, o posicionamento político e diplomático dos membros em relação ao conflito na Faixa de Gaza, os impactos orçamentários e eventuais compromissos financeiros, além dos objetivos do grupo quanto à segurança, transição política e reconstrução do território palestino.

Conselho de Paz para Gaza

Anunciado por Donald Trump na última semana, o Conselho de Paz para Gaza deve contar com a participação de cerca de 60 países e terá mandato inicial de três anos. O documento que institui o órgão prevê a existência de membros permanentes, condição que exige o pagamento de uma taxa de US$ 1 bilhão ao fundo do conselho já no primeiro ano de funcionamento.

Apesar dos convites, a iniciativa tem sido recebida com cautela por líderes internacionais, que questionam o papel e a legitimidade do novo organismo. Alguns chefes de Estado, como o presidente da França, Emmanuel Macron, já descartaram participar, alegando incertezas quanto ao escopo das atividades.

A criação do conselho integra a segunda fase do plano de 20 pontos apresentado por Trump para encerrar o conflito na Faixa de Gaza, com foco na desmilitarização e na reconstrução do território. Entre os membros fundadores já confirmados estão o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do presidente norte-americano.

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