TJMS marca julgamento de habeas corpus de três denunciados por envolvimento com jogo do bicho
- porRedação
- 30 de Janeiro / 2026
- Leitura: em 8 segundos

O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) marcou o julgamento de habeas corpus de três denunciados por envolvimento com o jogo do bicho no Estado. Todos são investigados no âmbito da Operação Successione, que apontou o chamado Clã Razuk como responsável por comandar o esquema criminoso.
Entre os investigados que tentam deixar a prisão está Marco Aurélio Horta, ex-chefe de gabinete do deputado estadual Neno Razuk (PL), apontado pelo Gaeco como um dos líderes da contravenção. A defesa de Horta é feita pelo advogado criminalista Thiago Bunning, que afirma que a situação do réu difere da dos demais corréus presos.
Segundo o advogado, Marco Aurélio não foi alvo nem denunciado em fases anteriores da operação, exercia cargo de assessor parlamentar, já foi exonerado, é réu primário e possui condições pessoais favoráveis. A defesa pede a substituição da prisão por medidas cautelares diversas.
Além de Horta, a 1ª Câmara Criminal do TJMS também analisará pedidos de habeas corpus apresentados pelo advogado Rhiad Abdulahad e pelo empresário Willian Ribeiro de Oliveira. Todos tiveram os pedidos negados liminarmente pelo relator, desembargador Jonas Hass Silva Júnior, e agora aguardam análise do colegiado, formado ainda pelos desembargadores Emerson Cafure, Elizabete Anache e Lúcio Raimundo da Silveira.
Investigação aponta ‘ponte’ no esquema
De acordo com o Gaeco, Marco Aurélio Horta teria atuado como uma espécie de “ponte” no esquema do jogo do bicho. A quebra de sigilo telefônico indicou que ele teria cedido sua conta bancária para repasse de valores a José Eduardo Abdulahad, conhecido como Zeizo, que segue foragido. Após a prisão, Horta foi exonerado do cargo público.
Advogado teria assumido liderança do pai
A investigação também aponta que o advogado Rhiad Abdulahad teria assumido papel de liderança na organização criminosa após a deflagração da Operação Successione. Segundo o Ministério Público, ele passou a exercer funções que antes eram desempenhadas por seu pai, José Eduardo Abdulahad, foragido desde a primeira fase da operação, em dezembro de 2023.
Conforme decisão judicial, Rhiad atuava na articulação e abertura de novas frentes de atuação do jogo do bicho no Estado, tentando consolidar o controle da contravenção após o enfraquecimento de grupos rivais.
Tentativa de expansão para Goiás
Já o empresário Willian Ribeiro de Oliveira é apontado como homem de confiança da família Razuk em Goiás. Segundo a Promotoria, ele teria sido incumbido de estudar a expansão do jogo do bicho para o Estado vizinho e chegou a confrontar grupos tradicionais da contravenção, incluindo o liderado por Carlinhos Cachoeira.
Operação Successione
A quarta fase da Operação Successione foi deflagrada no dia 25 de novembro de 2025 pelo Gaeco do MPMS. Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, além de alvos identificados no Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.
As investigações apontam que o grupo tentou assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande após a queda da família Name, alvo da Operação Omertà, em 2019. O deputado estadual Neno Razuk é citado pelos promotores como líder da organização, que contaria com apoio de policiais militares na gerência da atividade ilegal.






