Setor produtivo reage a proposta do governo que prevê fim da escala 6x1

Entidades defendem que a proposta não deve ser tratada em ano eleitoral | Créditos: Paulo Pinto/Agência Brasil


O envio de um novo projeto de lei pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional, propondo a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, intensificou o debate entre representantes governamentais e o setor produtivo. A proposta, que tramita em regime de urgência, visa extinguir o modelo de trabalho conhecido como escala 6x1, garantindo ao trabalhador dois dias de descanso semanal sem redução salarial.

Argumentos em Debate

Entidades ligadas à indústria e ao comércio manifestaram preocupação com os possíveis reflexos econômicos da medida. Segundo estimativas de organizações do setor, a alteração poderia elevar os custos operacionais com salários em valores bilionários, além de gerar riscos à competitividade das empresas brasileiras e à manutenção de postos de trabalho formais.

Representantes do setor produtivo defendem que mudanças na carga horária deveriam ser decididas por meio de negociações coletivas entre sindicatos e empresas, respeitando as particularidades de cada atividade econômica, em vez de serem impostas por legislação federal.

Posicionamento Governamental e Trâmite

Por outro lado, defensores da medida argumentam que o Brasil está maduro para avançar em direção à redução da jornada, citando ganhos em qualidade de vida e produtividade. O governo federal sinalizou que o projeto enviado busca convergir com discussões que já ocorrem no Legislativo através de Propostas de Emenda à Constituição (PECs).

Com o regime de urgência constitucional, a Câmara dos Deputados tem um prazo de 45 dias para analisar o texto. Caso não haja deliberação nesse período, a pauta do Plenário fica sobrestada até que a votação ocorra. Atualmente, o tema também passa por análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde pedidos de vista adiaram recentemente a votação de relatórios sobre o assunto.

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