Setor de calçados propõe crédito e medidas contra importações após tarifa dos EUA

| Créditos: Reprodução/Brasil de Fato


A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) apresentou ao governo federal nesta terça-feira (21) medidas para reduzir os efeitos da tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Entre as propostas, estão a criação de linhas de crédito emergencial para empresas do setor e o reforço do controle sobre as importações.

As sugestões foram apresentadas pelo presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, durante reunião em Brasília com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, além de representantes dos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores.

Segundo a Abicalçados, os Estados Unidos são o principal destino do calçado brasileiro no exterior. De cada US$ 5 gerados pelas exportações do setor, um vem das vendas para o mercado norte-americano.

A entidade estima que, com a aplicação da sobretaxa, as exportações totais de calçados devem cair 7,1%, percentual superior à previsão feita antes do anúncio da medida, quando a expectativa era de retração de 3,6%. Para a associação, a tarifa reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado dos Estados Unidos.

No curto prazo, a Abicalçados defende a criação de um Plano Brasil Soberano 3, com linhas de crédito emergenciais facilitadas e de menor custo para a indústria. A entidade também propôs a ampliação do Reintegra, programa que devolve créditos sobre produtos exportados pelo Brasil.

Atualmente, o Reintegra retorna 0,1% em créditos sobre as exportações. Segundo a associação, a legislação permite elevar a alíquota para até 5%, o que ajudaria a reduzir os impactos sobre as empresas exportadoras.

Importações de calçados

A Abicalçados também pediu o aperfeiçoamento de mecanismos de controle e monitoramento das importações, além de uma aplicação mais efetiva de medidas de defesa comercial.

Segundo a entidade, mais de 25 milhões de pares de calçados entraram no Brasil no primeiro semestre deste ano, alta de 15,6%, em um cenário de estagnação do mercado interno e retração da produção nacional.

Para o presidente-executivo da associação, instrumentos como salvaguardas, licenciamento de importações e outras medidas compensatórias são necessários para garantir condições mais equilibradas de concorrência no mercado brasileiro.

Após a reunião, Haroldo Ferreira afirmou que o governo demonstrou sensibilidade aos impactos econômicos e sociais gerados pela tarifa norte-americana e sinalizou a adoção de medidas de auxílio emergencial aos setores afetados, que deverão ser definidas de acordo com as características de cada segmento.

A indústria brasileira de calçados reúne mais de 5.000 empresas e gera cerca de 280 mil empregos diretos no país, segundo a Abicalçados.

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