Rússia sequestrou crianças ucranianas e as enviou à Coreia do Norte; veja o que se sabe
- porR7
- 06 de Dezembro / 2025
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Kiev registrou pelo menos dois casos de crianças deportadas por Moscou para a Coreia do Norte | Créditos: Reprodução/X/KaterynaLis
A Rússia enviou ao menos duas crianças ucranianas sequestradas para a Coreia do Norte, segundo autoridades de Kiev que participaram de uma audiência no Senado dos Estados Unidos.
A especialista jurídica do Centro Regional de Direitos Humanos da Ucrânia, Kateryna Rashevska, afirmou a uma subcomissão americana que Kiev registrou casos confirmados de crianças levadas do leste da Ucrânia para território norte-coreano. Ela citou Misha, de 12 anos, da região ocupada de Donetsk, e Liza, de 16 anos, de Simferopol, na Crimeia.
Segundo Rashevska, ambos foram enviados ao campo de Songdowon, a nove mil quilômetros de suas casas. A especialista disse que as crianças que passam pelo local aprendem a destruir militaristas japoneses e têm contato com veteranos da Guerra da Coreia, incluindo participantes do ataque ao navio Pueblo em 1968.
A denúncia surge enquanto a Coreia do Norte reforça seu apoio militar à Rússia desde o início da guerra. Pyongyang forneceu armas a Moscou e enviou até doze mil soldados ao território russo no ano passado, segundo autoridades ucranianas.
‼️IMPORTANT: Among Ukrainian children abducted by Russia, some are being forcibly transferred to North Korea and placed in military camps. “It is one of many reasons why Ukraine cannot recognize occupied territories as Russian, as it would make us complicit in these crimes,” said… pic.twitter.com/tNv0jTj7xg
— Kateryna Lisunova (@KaterynaLis) December 4, 2025
A deportação de menores pela Rússia é investigada por organizações internacionais. Kiev afirma ter repatriado cerca de 1.800 crianças entre mais de dezenove mil e quinhentas identificadas como sequestradas desde 2022. O número se refere apenas a casos com dados detalhados sobre origem e localização.
Autoridades ucranianas dizem que o total real é maior.
A russa Maria Lvova-Belova, comissária para os Direitos da Criança, declarou anteriormente que Moscou acolheu 700 mil crianças ucranianas entre fevereiro de 2022 e julho de 2023.
Já o diretor executivo do Laboratório de Pesquisa Humanitária de Yale, Nathaniel Raymond, afirmou à subcomissão americana que sua equipe identificou ao menos 35 mil crianças sob custódia temporária ou permanente da Rússia, com idades entre oito meses e dezessete anos no momento da captura.
Raymond disse que muitos menores são levados para campos em áreas ocupadas e em território russo. Ele relatou casos de reeducação patriótica que incluía a proibição do idioma ucraniano e ensinamentos baseados em uma versão da história que negava a existência da nação e da cultura ucranianas.
Em setembro, o laboratório identificou mais de 210 instalações nas quais crianças são doutrinadas, treinadas militarmente ou mantidas sem contato com familiares. Raymond afirmou que o retorno dos menores deveria ser condição prévia para qualquer acordo de paz.
A Assembleia Geral da ONU aprovou na quarta-feira (3) uma resolução que exige o retorno de todas as crianças ucranianas deportadas pela Rússia desde 2014. Noventa e um países votaram a favor e doze foram contra, entre eles Rússia, Belarus e Irã.
O texto pede o fim de novas deportações, separações familiares, mudanças de cidadania, adoções, acolhimento e ações de doutrinação. A vice-ministra das Relações Exteriores da Ucrânia, Mariana Betsa, afirmou durante o debate que não haverá paz justa sem o retorno incondicional das crianças e disse que a resolução trata de ‘humanidade’.






