Reunião interna antecedeu divulgação de rombo das Americanas e expôs suspeitas de fraude

| Créditos: GESIVAL NOGUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO


Uma reunião realizada no início de janeiro de 2023 teria sido decisiva para revelar, internamente, a dimensão das inconsistências contábeis que posteriormente levaram a um dos maiores escândalos empresariais do país envolvendo as Americanas.

Segundo informações registradas em uma decisão da Justiça Federal, o então diretor financeiro da companhia, André Covre, tomou conhecimento das operações investigadas poucos dias após assumir o cargo. Durante o encontro, ele teria demonstrado surpresa ao se deparar com os dados e classificado as práticas como fraude.

Ainda conforme os documentos relacionados à investigação da Polícia Federal, Covre teria alertado os participantes sobre possíveis consequências judiciais e passou a exigir um levantamento detalhado da situação financeira da empresa.

As apurações apontam que mecanismos contábeis teriam sido utilizados durante anos para reduzir a percepção do endividamento real das Americanas e apresentar ao mercado indicadores financeiros mais favoráveis do que a situação efetivamente existente.

A empresa comunicou oficialmente ao mercado, em 11 de janeiro de 2023, a existência das chamadas “inconsistências contábeis”. O episódio desencadeou investigações que posteriormente passaram a apurar a atuação de antigos executivos e outros envolvidos.

De acordo com os registros da investigação, após a reunião, a companhia contratou uma banca especializada para prestar assessoria jurídica e iniciou uma análise mais aprofundada de documentos, contratos, dívidas com fornecedores, operações bancárias e demais obrigações financeiras.

O caso integra a Operação Disclosure, conduzida pela Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades relacionadas à crise contábil das Americanas. As acusações e responsabilidades individuais seguem sendo analisadas pelas autoridades competentes.

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