Reciclagem de documentos do Detran-MS une sustentabilidade e ação social
- porRedação
- 20 de Março / 2026
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Por trás de pilhas de documentos que deixam de ocupar espaço físico nas unidades do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), há um trabalho silencioso, criterioso e de grande responsabilidade. Apenas em 2025, cerca de 49,2 mil quilos de papel tiveram destinação adequada — e o que poderia ser apenas descarte ganhou um novo significado ao beneficiar o Cotolengo Sul-Mato-Grossense.
Os números dimensionam a operação: mais de 1 milhão de publicações de processos de CRV (Certificado de Registro de Veículo) em Diário Oficial, cerca de 380 mil processos recolhidos nas agências e outros 1,1 milhão vindos do interior. Ao todo, 39 unidades participaram do trabalho, que também envolveu a triagem de documentos acumulados ao longo de anos.
Antes da reciclagem, o processo segue etapas rigorosas. Tudo começa nas agências, com a separação e organização do material. Em seguida, os documentos passam por digitalização e publicação em Diário Oficial, garantindo transparência e prazo para manifestações. Só depois disso ocorre a destinação final, sempre com acompanhamento técnico.
Segundo a servidora Priscila Rezende, integrante da comissão de avaliação documental, há um cuidado especial com a segurança das informações. “A equipe acompanha a trituração para evitar qualquer vazamento de dados sensíveis”, explica.
Desde 2017, o material reciclado também gera recursos financeiros destinados ao Cotolengo. O repasse é feito diretamente pela empresa recicladora, com base no peso do papel arrecadado, fortalecendo o trabalho social da instituição.
Para o diretor-presidente da entidade, Valdeci Marcolino, o impacto é direto no atendimento. “Esse recurso contribui para manutenção, melhorias e até para a alimentação especial das crianças atendidas”, destaca.
A iniciativa também reflete um avanço importante na gestão pública. Com a digitalização de serviços — como o CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo) —, a produção de papel vem diminuindo. Ainda assim, há um grande volume de documentos antigos que exige tratamento adequado durante essa fase de transição.
De acordo com Wanderluiz Ribas Espíndola, servidor com mais de quatro décadas de atuação no órgão, o cenário já mudou bastante. “Antes, o volume era muito maior. Hoje percebemos a redução com o avanço do digital, mas ainda há muito trabalho com o acervo acumulado”, afirma.
Esse processo também revelou curiosidades históricas, como registros de cocheiros entre 1949 e 1958, período em que as carruagens davam lugar aos automóveis — documentos preservados com cuidado por seu valor histórico.
Mais do que organizar arquivos, o trabalho do Detran-MS mostra como é possível unir eficiência administrativa, sustentabilidade e impacto social, transformando o que seria descarte em benefício direto para a comunidade.






