“Quem Vai Pela Cabeça dos Outros é Piolho”
- porAlcina Reis
- 27 de Dezembro / 2025
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Diz o ditado popular que "quem vai pela cabeça dos outros é piolho". A frase é dura, quase infantil, mas carrega uma sabedoria ancestral que muitos, embriagados pelo barulho das redes sociais e pelo fervor das multidões, decidiram ignorar. O problema de emprestar o juízo para um grupo é que, quando a fatura chega, o nome no boleto é apenas o seu.
Recentemente, vimos carreiras brilhantes — construídas com décadas de disciplina, concursos difíceis e sacrifícios familiares — desmoronarem como castelos de areia. Pessoas que outrora eram autoridades respeitadas, hoje carregam o peso do arrependimento e o selo da condenação.
O preço de não pensar por si mesmo
Olhemos para os nomes que estamparam as manchetes. Tomemos como exemplo Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal. Um homem que chegou ao topo de uma das instituições mais respeitadas do país. Recentemente, após romper sua tornozeleira eletrônica e tentar uma fuga para o exterior, ele foi capturado no Paraguai e transferido para Brasília.
O que sobrou? O relato de uma saúde debilitada e a imagem de alguém que, em vez de desfrutar de uma aposentadoria digna, vive o isolamento das celas.
Outro caso emblemático é o da ex-deputada Carla Zambelli.
Fugitiva na Itália após sua condenação pelo STF, ela vive hoje o que muitos chamariam de pesadelo: detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, Zambelli chegou a ser agredida por outras detentas pelo menos duas vezes. Sem o status do mandato, sem o "tapete vermelho" de Brasília e enfrentando dificuldades até com a língua local, sua defesa precisou pedir transferência de cela para garantir sua integridade física. Onde estão os milhões de seguidores quando as portas da cela se fecham e a convivência é com detentas de alta periculosidade?
Mas o drama não se limita aos políticos. Coronéis da Polícia Militar do Distrito Federal, como Fábio Augusto Vieira e Kleter Rosa, foram sentenciados a penas superiores a 15 anos.
O que eles perderam?
A Carreira: A perda do cargo público é o golpe final. Décadas de serviço jogadas fora por uma crença cega.
O Salário e o Status: Soldos que chegavam a R$ 38 mil mensais evaporaram. O respeito da farda foi substituído pelo registro criminal.
A Dignidade Familiar: Imagine o custo emocional para uma esposa, para os filhos e netos, ao verem o pilar da casa ser conduzido algemado, rotulado como alguém que atentou contra o próprio país.
A Solidão do Arrependimento
O fanatismo é um narcótico: ele anestesia o medo e a lógica. No calor da marcha ou no grupo de mensagens, todos se sentem heróis. Mas o tribunal não julga "a causa"; julga o CPF. A cela é individual.
Muitos dos que foram presos no 8 de janeiro hoje relatam, em depoimentos amargos, que foram enganados por mentiras. Policiais concursados, que lutaram anos em cursinhos para garantir estabilidade, hoje veem suas famílias desamparadas. Na Marinha, o suboficial Marco Antônio Braga Caldas tornou-se o primeiro militar expulso, perdendo sua graduação após uma condenação de 14 anos.
A grande lição que fica, escrita com o sangue das reputações perdidas, é que ninguém vale o sacrifício da sua paz e do futuro da sua família. Políticos passam, ideologias mudam de nome, mas o seu registro criminal e o olhar de decepção daqueles que dependem de você são permanentes.
Conclusão
Cuidar da própria vida, focar na progressão da sua carreira e zelar pelo bem-estar de quem te ama não é egoísmo; é lucidez. Antes de marchar cegamente por alguém, pergunte-se: se tudo der errado, essa pessoa estará lá para segurar a sua mão na porta do presídio? A história recente mostra que, quando as portas se fecham, resta apenas o silêncio e o arrependimento.
Fique atento, pois quem vende facilidade nunca vai mostrar as dificuldades. No palco do fanatismo, o microfone é deles, mas o preço alto do ingresso é pago exclusivamente por você.
Por Alcina Reis

Jornalista Alcina Reis | Créditos: Arquivo pessoal






