Propina a contrabandistas: investigações apontam para possível rede com mais policiais envolvidos

| Créditos: Foto: Reprodução/ Rádio Caçula


O esquema de propina relacionado ao contrabando na fronteira de Mato Grosso do Sul ganhou destaque com a prisão em flagrante do investigador da Polícia Civil Augusto Torres Galvão Florindo e de um ex-guarda municipal. A dupla foi detida pela Polícia Federal em Três Lagoas enquanto recebia cerca de R$ 160 mil, valor que, segundo o investigador confessou, era referente à venda de mercadorias contrabandeadas que haviam sido desviadas de apreensões oficiais.

O caso reacendeu o alerta sobre a corrupção dentro das forças de segurança estaduais. O Secretário de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antônio Carlos Videira, confirmou que a situação não é isolada. Ele informou que procedimentos internos conduzidos pela Corregedoria da Polícia Civil já estavam em andamento antes do flagrante para apurar desvios de conduta ligados a crimes transfronteiriços e facilitação de atividades criminosas.

A Sejusp suspeita do envolvimento de outros policiais no esquema, além do agente detido. A investigação segue em sigilo para mapear a extensão da rede responsável por desviar e comercializar produtos apreendidos de alto valor.

O agente Augusto Florindo e o ex-guarda municipal responderão por corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil solicitou o compartilhamento do material da investigação federal e instaurou, de forma imediata, um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra o servidor.

Em um desdobramento do caso, foi revelado que o investigador preso é casado com uma promotora de Justiça que, por quase uma década, atuou em um grupo especializado no controle externo da atividade policial. A Associação Sul-Mato-Grossense dos Membros do Ministério Público (ASMMP) divulgou nota de apoio à promotora, repudiando associações do seu nome ao crime cometido pelo marido.

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