Presidente da CPMI do INSS vai pedir prisão de três convocados que não compareceram


O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que vai pedir prisão temporária de três investigados convocados pela comissão e que não compareceram.

Segundo ele, a medida é necessária para garantir o andamento das investigações sobre fraudes em descontos de aposentados e pensionistas.

O empresário Danilo Trento, o cunhado do presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), Vinicius Ramos da Cruz, e Silas da Costa Vaz — secretário da Conafer — ainda não foram localizados e não confirmaram presença na comissão.

“Temos três principais que entendemos que não estão retornando em momento algum e nós vamos solicitar ao Judiciário a prisão temporária dessas pessoas, para que elas possam ser conduzidas coercitivamente”, afirmou Viana.

De acordo com o senador, os três são aguardados pela comissão porque podem esclarecer detalhes sobre o esquema de fraudes do INSS, que descontou R$ 6,3 bilhões de beneficiários.

A Conafer foi uma das entidades beneficiada com descontos irregulares de aposentadorias pagas pelo Instituto.

“Espero que a Justiça entenda e, na semana que vem, nós teremos as respostas que esperamos”, reiterou Viana. O senador declarou ainda que o relatório das oitivas já está bem encaminhado.

Suspeitas

Em depoimento nesta terça-feira (28), Vinicius Ramos foi citado pelo piloto Henrique Galvão, que informou que duas aeronaves utilizadas pela Conafer pertenciam ao cunhado de Carlos Roberto Ferreira Lopes.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), classificou as vendas dos aviões — hoje em nome do secretário da Conafer, Silas da Costa Vaz — como suspeitas. De acordo com o relator da CMPI, Vaz não teria rendimento compatível para comprar aeronaves e custear sua manutenção.

Segundo Henrique Galvão, o valor da aeronave, modelo Beechcraft Baron 58, um bimotor de seis lugares, seria de aproximadamente R$ 1,8 milhão. E, caso fosse utilizada por 10 horas mensalmente, teria um custo de R$ 40 mil. Já a segunda aeronave, um Cessna 172RG, vale em torno de R$ 550 mil.

O empresário Domingos Sávio de Castro, por sua vez, segundo depoente do dia, negou envolvimento nas irregularidades e permaneceu em silêncio devido a um habeas corpus concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Sem Desconto em abril de 2025. A ação revelou fraudes em benefícios no período entre 2019 e 2024.

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