Polícia Científica de MS adota tomografia com contraste próprio em necrópsias no IMOL de Campo Grande
- porRedação
- 10 de Março / 2026
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A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul passou a utilizar rotineiramente uma técnica de tomografia com contraste em exames de necrópsia realizados no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), em Campo Grande. O diferencial da iniciativa é a utilização de um contraste de produção própria, desenvolvido dentro da instituição, o que permite otimizar o uso da tecnologia e reduzir significativamente os custos para o Estado.
A aplicação do contraste possibilita visualizar com maior precisão a rede vascular após o óbito, facilitando o trabalho pericial em casos considerados complexos. Em situações nas quais a tomografia convencional não apresenta alterações evidentes, a nova metodologia permite identificar obstruções, rompimentos ou extravasamentos internos de forma mais clara e rápida.
Eficiência e baixo custo na Medicina Legal
Diferentemente de protocolos internacionais que utilizam insumos de alto custo, a solução desenvolvida em Campo Grande foi pensada para a realidade da segurança pública local. A fórmula utiliza água, sulfato de bário e um agente estabilizador, o que permite que o contraste permaneça no sistema vascular durante todo o exame sem se dispersar para outros tecidos.
Com a técnica, o perito médico-legista consegue gerar reconstruções tridimensionais detalhadas das estruturas do corpo, permitindo uma espécie de “necrópsia virtual”. O método auxilia na determinação da causa da morte em casos de infartos, hemorragias internas ou mortes inicialmente classificadas como indeterminadas, funcionando como ferramenta complementar à necrópsia tradicional.
Estrutura tecnológica
Mato Grosso do Sul também se destaca no cenário nacional por possuir tomógrafos próprios nas unidades de perícia. Atualmente, os IMOLs de Campo Grande e Dourados contam com esses equipamentos, posicionando o estado entre os mais avançados do país no uso de tecnologia aplicada à investigação forense.
Desenvolvimento científico e parcerias
A consolidação da técnica é resultado de estudos científicos conduzidos dentro da própria Polícia Científica. O projeto integra a pesquisa de mestrado do servidor Rodrigo Borges Gomes, agente da Polícia Científica e biomédico, desenvolvida no programa de Ciência dos Materiais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Foi o próprio pesquisador quem desenvolveu a formulação do contraste, unindo a experiência prática do trabalho pericial ao rigor científico da pesquisa acadêmica. O trabalho conta ainda com a colaboração técnica do Instituto Médico-Legal do Distrito Federal.
As próximas etapas do projeto preveem ampliar o número de casos analisados, com o objetivo de aprofundar os estudos e validar ainda mais a eficácia da solução desenvolvida pela instituição, que pode se tornar referência para outros centros de perícia do país.






