Pix entra na mira dos EUA e vira alvo de críticas por impactar gigantes americanas
- porRedação
- 22 de Julho / 2025
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O sistema de pagamentos Pix, desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, entrou no radar dos Estados Unidos, que agora investigam supostas "práticas desleais" do país no setor. A ofensiva norte-americana ocorre em paralelo à tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros, prevista para agosto.
Segundo o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), o Brasil estaria se beneficiando de seu sistema estatal de pagamentos, o que, na visão norte-americana, distorce a concorrência e afasta empresas estrangeiras do mercado nacional.
Para o economista Hugo Garbe, ouvido pela Sputnik Brasil, o sucesso do Pix — gratuito, instantâneo e amplamente adotado por 76,4% da população — incomoda empresas como Visa, Mastercard e grandes fintechs dos EUA, ao eliminar intermediários e reduzir taxas no setor financeiro. Desde o lançamento em 2020, o Pix movimentou R$ 65 trilhões e bateu recorde de R$ 2,8 trilhões em junho deste ano.
Com a chegada da função crédito em setembro, o sistema passará a concorrer também com os modelos tradicionais de financiamento, o que amplia o desconforto americano. “O Pix simboliza uma ruptura com a infraestrutura financeira global dominada pelo dólar e por empresas dos EUA”, explica Garbe.
O economista alerta que os EUA podem usar o Pix como justificativa para novas barreiras comerciais, afetando a balança comercial brasileira e pressionando o câmbio e a inflação. Ele defende uma resposta estratégica do governo, com articulação diplomática, abertura a fintechs estrangeiras e defesa técnica do Pix como política pública de inclusão financeira.
Para Garbe, o embate é também ideológico, inserido em um contexto maior de contenção à influência dos BRICS e a alternativas ao sistema financeiro ocidental. "O Pix é mais do que um meio de pagamento — é um ativo geopolítico e econômico do Brasil", conclui.
Fonte: Sputnik Brasil






