Piloto Liga Presidente do União Brasil a Esquema de Jatos em Investigação de Lavagem

| Créditos: VICTORIA LACERDA/R7


Um piloto que prestou depoimento à Polícia Federal (PF) afirmou que o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, é apontado como o líder de um grupo que financiou a compra de jatos executivos envolvidos em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. As informações ligam as operações da empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP) à facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mauro Caputti Mattosinho, que se demitiu da empresa há duas semanas, deu uma entrevista ao ICL Notícias após depor à PF. Ele declarou que seu ex-chefe se referia a Rueda como o responsável por um grupo com "muito dinheiro que precisava gastar", o que teria impulsionado a aquisição de aeronaves avaliadas em dezenas de milhões de dólares. A frota da TAP, segundo ele, dobrou de cinco para dez jatos entre 2023 e 2024.

Mattosinho relatou ter feito pelo menos 30 voos transportando Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", ambos considerados líderes do esquema de lavagem e foragidos da Justiça. O piloto afirmou que pediu demissão indignado com o conteúdo das conversas que testemunhou.

Em nota oficial, Antônio Rueda negou veementemente ser proprietário de qualquer aeronave ou ter participação em sua compra. Disse que "já voou em aeronaves particulares em voos fretados por ele ou como convidado", mas que costuma viajar em voos comerciais e repudia "qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas".

A reportagem identificou que um jato citado pelo piloto (matrícula PR-JRR) é de propriedade da empresa Fênix Participações. Os controladores da empresa — Caio Vieira Rocha, o ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos-CE) e um empresário de Pernambuco — negaram, por meio de advogado, que Rueda tenha qualquer participação na sociedade ou na aeronave.

Os registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que a Fênix comprou o jato em outubro de 2024 por US$ 2,3 milhões da RZK Empreendimentos Imobiliários, de José Ricardo Rezek. Rezek é doador de vários partidos, incluindo o União Brasil, e foi convidado para o aniversário de 50 anos de Rueda. A RZK informou que a venda foi regular e que Rueda não teve qualquer participação na negociação.

A Táxi Aéreo Piracicaba emitiu nota dizendo "desconhecer qualquer declaração atribuída a funcionário" e que atua "em observância à lei". A investigação, deflagrada no fim de agosto em uma megaoperação, apura o uso de fundos de investimento e empresas de fachada para lavagem de valores.

Fonte: ICL Notícias e UOL

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