PF vê suspeita de crime em recursos transferidos por Frias para filme de Bolsonaro
- porR7
- 10 de Setembro / 2026
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| Créditos: Reprodução/CNN
A Polícia Federal apontou que o deputado federal Mario Frias (PL-SP) realizou, em menos de dois meses, transferências atípicas no valor total de R$ 645,4 mil para a empresa Go Up Entertainment, de propriedade da empresária Karina Gama. A empresa é investigada sobre o financiamento do filme Dark Horse, obra cinematográfica que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta quinta-feira (10), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino mandou a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra Mario Frias e Karina Gama em uma operação que investiga a destinação de emendas parlamentares para o filme sobre a vida de Bolsonaro.
O ministro tirou o sigilo da decisão no início desta tarde. De acordo com os relatórios da investigação que embasaram a decisão de Dino, os valores repassados pelo parlamentar são materialmente incompatíveis com os seus rendimentos formais conhecidos.
Frias recebe mensalmente a quantia de R$ 44.008,52, o que, para os investigadores, coloca em xeque a origem e o lastro financeiro das somas direcionadas à produtora em um intervalo inferior a sessenta dias.
“Essa circunstância faz com que ele transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros, e coloca o parlamentar federal como participante ativo da engrenagem financeira sob investigação, realizando movimentações incompatíveis com sua capacidade econômica conhecida e mantendo relações patrimoniais com integrantes do mesmo núcleo já identificado nas demais frentes investigativas”, diz um relatório da PF que embasou a decisão de Dino.
Produtora movimentou R$ 19 milhões
Ainda segundo o relatório da PF, durante o período de gravações do filme (entre novembro e dezembro de 2025), a Go Up Entertainment movimentou R$ 19.033.071,00.
A PF diz que o montante reuniu aportes de Frias e de empresas e outras entidades sob investigação.
A corporação chamou atenção para os pagamentos realizados a empresas dos setores de hotelaria, alimentação e eventos, incluindo um repasse de R$ 906.768,44 e outro pagamento de R$ 653.155,00.
Além disso, a PF disse que houve pagamentos relevantes a empresas com atuação na área de produção audiovisual.
Segundo a corporação, a suspeita é de que parte desses valores tenha sido originalmente destinada ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), que é presidido por Karina Gama, e posteriormente desviada para a produtora do filme de Bolsonaro.
Indícios de formação de organização criminosa
A análise conjunta dos dados financeiros levou a PF a concluir que não existem esquemas isolados, seja o desvio de verbas públicas de emendas direcionadas a organizações sociais, seja a movimentação de recursos vinculados a pessoas ligadas ao grupo.
O relatório destaca haver “fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas, na qual o Deputado Federal Mário Frias figura como agente central”.
“Assim sendo, já por ocasião da instauração, foram encontrados indicativos da prática de crimes de peculato, fraude em licitação ou contrato, contratação direta ilegal, falsificação de documento particular e falsidade ideológica e uso de documento falso, emprego irregular de verbas ou rendas públicas, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.”
As apurações integram investigações sobre o fluxo de recursos públicos e privados direcionados à rede de entidades e empresas associadas a Karina Gama, que também esteve envolvida na gestão de projetos sociais e acordos de grande porte.
As defesas dos citados ainda não se manifestaram detalhadamente sobre os trechos específicos do relatório da PF, mas o espaço permanece aberto para posicionamento.






