PF encontra contrato de R$ 427 milhões ligado à ‘Turma do KN’ em celular de Vorcaro

| Créditos: © Banco Master/Divulgação


A PF (Polícia Federal) encontrou no celular de Daniel Vorcaro a menção a um contrato de R$ 427 milhões em honorários que seriam pagos a um escritório de advocacia. Nas mensagens, os valores são associados à chamada “Turma do KN”.

Segundo fontes ligadas à investigação ouvidas pelo Jornal da Record, o contrato previa pagamentos em caso de vitória em ações de interesse do ex-dono do Banco Master.

Para a PF, a expressão “Turma do KN” seria uma referência ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques.

Os dados encontrados no celular de Vorcaro foram enviados ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF.

Segundo a investigação, o suposto esquema teria sido operado pelo desembargador Newton Ramos, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), em Brasília, e pela mulher dele, Camilla Ramos, sócia do escritório de advocacia Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos.

Em nota, o escritório afirmou que tinha contrato formal com o Banco Master para atuar em processos de precatórios — ordens judiciais de pagamento do setor público. O escritório também disse que nunca atuou no STF e não tem vínculo com Nunes Marques.

Newton Ramos ainda não se manifestou sobre o caso.

Nunes Marques nega relação com Vorcaro

Na semana passada, Kassio Nunes Marques se declarou impedido para julgar um caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, afirmou que a condição de presidente do TSE não o deixava confortável para analisar o caso.

Sobre as informações encontradas pela PF, o ministro afirmou que nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro e nunca pediu nada a ele.

Nunes Marques também afirmou que jamais autorizou ninguém a falar em seu nome.

PF também investiga avião usado por Moraes

A PF também identificou que Moraes usou um avião ligado a Vorcaro.

Imagens mostram Moraes e a esposa, Viviane Barci, desembarcando no Rio de Janeiro em agosto de 2025. O jato, avaliado em pelo menos R$ 60 milhões, pertence desde junho à empresa Fraction 024, que tem capital social de R$ 100.

A companhia funciona na mesma sala da Prime Aviation, que opera o avião. A PF suspeita que Daniel Vorcaro comande a empresa.

Os administradores da Fraction, Marcus Vinicius da Mata e Artur Martins de Figueiredo, foram alvo da CPI do Crime Organizado por suposta sociedade com empresas investigadas por lavagem de dinheiro para facções criminosas.

Procurado, Artur Martins de Figueiredo ainda não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem. A defesa de Marcus Vinicius da Mata também não foi localizada.

Em nota, o escritório de advocacia da mulher de Alexandre de Moraes afirmou que a contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. O escritório também afirmou que Daniel Vorcaro nunca viajou no mesmo avião.

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