Pessoa idosa: Lei proposta por Kemp entra em vigor em MS e muda placas 60+ para figura com postura ereta

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A partir da Lei Estadual nº 6.603 de 2026, publicada nesta terça-feira (30) no Diário Oficial, o Estado de Mato Grosso do Sul vai substituir o pictograma atual de sinalização indicativa às pessoas com 60 anos ou mais. A medida foi proposta pelo deputado estadual Pedro Kemp (PT) e estabelece prazos para a adequação das placas já existentes.

A atual imagem indicativa de uma pessoa curvada e de bengala — utilizada em vagas, assentos, filas e outros serviços prioritários — deverá ser substituída por uma nova sinalização com a imagem de uma pessoa ereta, acompanhada da inscrição “60+”. A mudança mantém todos os direitos prioritários garantidos pelo Estatuto da Pessoa Idosa (Lei Federal nº 10.741, de 1º de outubro de 2003).

“Os serviços prioritários para a pessoa idosa contêm uma simbologia que pode ser vista como pejorativa, associando a velhice a características de fragilidade. Com essa mudança, as placas continuarão exercendo seu papel de instruir a população, mas reforçando a autoestima e a dignidade da população idosa, combatendo o etarismo”, explica Kemp.

A nova legislação prevê uma transição gradual para a sinalização de vagas e placas, seguindo os critérios estabelecidos pela Resolução CONTRAN nº 965/2022:Até cinco anos: para que os órgãos de trânsito e os proprietários de estabelecimentos privados de uso coletivo realizem as adequações necessárias na sinalização das áreas de estacionamento.

Até dois anos: para que os órgãos e entidades de trânsito competentes realizem a adequação do modelo das credenciais.Junho Prata e o combate aos estigmasNo mês de enfrentamento à violência contra a pessoa idosa, o "Junho Prata", o deputado estadual Pedro Kemp conseguiu a aprovação da lei que reestrutura a representação visual dos idosos. 

Para o parlamentar, a proposta abre um debate fundamental sobre a superação de preconceitos na sociedade.“Temos que abolir essa imagem da pessoa idosa inválida. A comunicação ocupa lugar de destaque na vida das pessoas e é uma ferramenta de exercício de cidadania e garantia de direitos. Ela serve para reforçar preconceitos, como o idadismo, ou como instrumento para superá-los diante de comportamentos que invisibilizam e estigmatizam a velhice, que não promovem acessibilidade e não incluem os mais velhos como protagonistas. Na sociedade atual, marcada pelo culto à juventude, o envelhecimento costuma ser rotulado de forma depreciativa, gerando exclusão, infantilização e solidão", afirmou Kemp.

O deputado relembrou ainda um episódio global recente para ilustrar a importância da linguagem e dos símbolos. "Como contribuição, exemplificamos que a Organização Mundial da Saúde (OMS), responsável por divulgar a Classificação Internacional de Doenças (CID), chegou a propor a troca do termo 'senilidade' pelo termo 'velhice' como causa de morte. Isso gerou uma forte reação contrária da sociedade, que rejeitou a ideia de a velhice ser considerada uma doença [1.1]. A internalização desses estigmas pode reforçar o preconceito e impedir a solidariedade entre as gerações. Precisamos reforçar a ideia de que envelhecer é um direito e uma conquista de todas as pessoas”, defendeu. Por fim, o parlamentar ressaltou o papel do Estado diante do novo cenário demográfico.

 “A lei aprovada confirma que o envelhecimento digno deve ser responsabilidade de cada um, da família, da sociedade, das empresas e, principalmente, do governo, articulando políticas públicas de forma intersetorial para atender todas as etapas da vida, com foco no envelhecimento ativo e no cuidado. Hoje, em Mato Grosso do Sul, as pessoas idosas já representam 14% da população, um número que cresce a cada ano. Estamos diante de novos desafios e de grandes oportunidades”, concluiu Kemp.

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