Pesquisa em MS usa mosca-da-fruta e aponta novos indícios genéticos ligados ao autismo
- porRedação
- 17 de Abril / 2026
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imagem ilustrativa | Créditos: Foto: Pixabay
Uma investigação científica realizada em Mato Grosso do Sul está utilizando a mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) como modelo biológico para aprofundar a compreensão sobre as bases genéticas do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A pesquisa, liderada pela doutora em genética Ana Luiza Bossolani Martins, concentra-se em mapear a função de genes específicos que apresentam alta similaridade entre insetos e seres humanos.
Similaridade Genética e Metodologia
A escolha da mosca-da-fruta justifica-se pelo fato de o inseto compartilhar entre 65% e 70% de semelhança gênica com a espécie humana. O projeto teve origem em uma colaboração científica internacional e utiliza como base alterações genéticas identificadas em um paciente brasileiro com diagnóstico de autismo.
Para o experimento, os cientistas replicaram nessas moscas as mesmas mutações observadas no paciente. O objetivo é monitorar como essas alterações afetam o desenvolvimento neurológico e o comportamento dos espécimes.
Resultados e Observações Comportamentais
As análises preliminares indicaram que as moscas com os genes modificados apresentaram comportamentos anômalos que mimetizam características do transtorno em humanos. Entre os principais achados, destacam-se:
Interação Social: Redução no contato e na convivência com outros espécimes.
Estereotipias: Repetição exacerbada de movimentos, como padrões de limpeza restritos.
Sono e Impulsividade: Alterações significativas no ritmo de repouso e aumento de reações impulsivas.
A pesquisa também simulou cenários genéticos mais complexos, como a translocação cromossômica, onde dois genes são afetados simultaneamente. Nesses casos, os sintomas comportamentais, especialmente as estereotipias, mostraram-se ainda mais intensos.
Perspectivas Futuras
Além de esclarecer a função de genes pouco explorados na ciência, o estudo busca estabelecer conexões entre essas variantes genéticas e outras condições, como epilepsia, esquizofrenia e TDAH. Os dados coletados devem servir de base para a publicação de um artigo científico, contribuindo para o diagnóstico e o entendimento da etiologia do autismo em nível molecular.






