Pesquisa da UFMS desenvolve tecnologia com nanopartículas que pode tornar quimioterapia mais eficaz
- porRedação
- 03 de Março / 2026
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Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com apoio do Governo do Estado por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul, avançou no desenvolvimento de uma nova forma de “transportar” medicamentos utilizados na quimioterapia.
O estudo propõe uma estratégia inovadora para melhorar a forma como o medicamento entra no organismo, circula pelo corpo e chega às células doentes. Em testes experimentais, a tecnologia alcançou até 99,6% de inibição do crescimento tumoral e redução superior a 90% no peso dos tumores, indicando que o câncer apresentou menor crescimento e permaneceu reduzido.
O projeto foi contemplado pela Chamada Especial Fundect/UFMS 23/2022 – Atração de Recém-doutores para Mato Grosso do Sul, com recursos da Fundect, e também recebeu apoio do Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS), iniciativa voltada ao fortalecimento da pesquisa científica aplicada à saúde pública em parceria com o Ministério da Saúde.
Como funciona a tecnologia
A pesquisa utiliza nanopartículas de sílica — estruturas extremamente pequenas, milhares de vezes menores que a espessura de um fio de cabelo — que funcionam como “veículos” para os medicamentos quimioterápicos. Essas partículas transportam o fármaco diretamente até as células cancerígenas, permitindo manter o efeito terapêutico com doses menores.
Segundo o professor Marcos Utrera Martines, responsável pelo estudo, o planejamento foi decisivo para os resultados obtidos. “O planejamento do tamanho e da morfologia da matriz carreadora, assim como a adição dos fármacos, foi bem-sucedido, mantendo a atividade anticâncer dos medicamentos e reduzindo as concentrações necessárias”, afirma.
Nos testes laboratoriais, as nanopartículas demonstraram forte capacidade de impedir a multiplicação das células tumorais e apresentaram alta seletividade — ou seja, mostraram-se muito mais eficazes contra células cancerígenas do que contra células saudáveis. Esse fator aponta para a possibilidade de redução dos efeitos colaterais comuns da quimioterapia tradicional.
Resultados promissores
Em uma etapa seguinte, os pesquisadores avaliaram o desempenho da tecnologia em testes experimentais que analisaram o crescimento e o peso dos tumores. As nanopartículas contendo citarabina e doxorrubicina apresentaram os melhores resultados, com índices de inibição do crescimento tumoral de até 99,6% e redução do peso tumoral acima de 90%.
O estudo também utilizou o ácido fólico como estratégia de direcionamento. Muitas células cancerígenas possuem grande quantidade de receptores dessa substância, o que facilita que o medicamento seja conduzido preferencialmente até o tumor. “O ácido fólico é usado como direcionador de fármacos porque diversas células cancerígenas superexpressam receptores de folato na sua superfície”, explica o professor Martines.
Potencial de aplicação no SUS
A pesquisa resultou em pedidos de patente e apresenta potencial de transferência tecnológica para o setor produtivo e para o Sistema Único de Saúde, por meio de parcerias para o desenvolvimento produtivo ou da criação de empresas de base tecnológica.
De acordo com o diretor-presidente da Fundect, Cristiano Carvalho, o apoio a iniciativas como essa fortalece o desenvolvimento científico no Estado. “Ao apoiar projetos como este, a Fundect fortalece a pesquisa científica em Mato Grosso do Sul, estimula a formação de pesquisadores qualificados e contribui para o desenvolvimento de tecnologias com potencial de aplicação futura no SUS”, afirma.
A partir desta publicação, a Fundect inicia a série “Fundect: MS ama Ciência”, que tem como objetivo divulgar pesquisas apoiadas pela Fundação que já apresentam resultados com potencial de impacto para a sociedade, evidenciando como o investimento público em ciência contribui para o avanço científico e tecnológico em Mato Grosso do Sul.






