Pesquisa com “mísseis moleculares” busca tornar tratamento contra o câncer mais preciso

A pesquisa foca em criar compostos químicos que se ligam a genes específicos do câncer | Créditos: Pexels/Tara Winstead


Pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo uma tecnologia inovadora que poderá abrir caminho para tratamentos contra o câncer mais precisos e com menos efeitos colaterais. A proposta utiliza estruturas chamadas de “mísseis moleculares”, capazes de identificar e atacar genes ligados ao desenvolvimento de tumores sem causar danos significativos às células saudáveis.

O estudo está sendo conduzido por cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e ainda se encontra em fase inicial de desenvolvimento. A estratégia busca superar uma das principais limitações das terapias convencionais, que frequentemente atingem tanto células cancerígenas quanto tecidos saudáveis, provocando reações adversas como queda de cabelo, náuseas e enfraquecimento do sistema imunológico.

A tecnologia combina proteínas capazes de reconhecer sequências específicas de DNA com compostos químicos que atuam na degradação de genes associados ao câncer. O objetivo é criar um mecanismo altamente seletivo, direcionando a ação terapêutica apenas para as células tumorais.

Outro diferencial da pesquisa é o uso de cobre presente em maior quantidade no ambiente de muitos tumores. Os cientistas desenvolveram moléculas que capturam esse metal para ativar a ação de corte do DNA apenas quando chegam à região cancerígena, reduzindo o risco de atingir tecidos saudáveis.

Nos primeiros testes realizados em laboratório, os pesquisadores observaram que os compostos conseguiram degradar sequências específicas de DNA, preservando outras estruturas genéticas. Os resultados são considerados promissores, mas ainda serão necessários novos estudos em células e, posteriormente, em modelos mais avançados antes que a tecnologia possa ser transformada em medicamento.

O avanço acompanha uma tendência mundial de desenvolvimento de terapias cada vez mais direcionadas. Pesquisas recentes em outros países também têm explorado métodos para desligar genes ligados ao câncer e reduzir os efeitos colaterais dos tratamentos oncológicos.

A pesquisa que gerou este artigo é realizada pelo Instituto Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (INCT-INBEB), que é financiado por meio de edital do CNPq e da Faperj.

Matheus S. S. Paqui recebe bolsa de doutorado do CNPq.

Daniele C. Durigon recebe financiamentos do CNPq.

Hernán Terenzi recebe financiamentos do CNPq e do INCT-INBEB.

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