Parasita mortal comedor de carne coloca gado dos EUA em risco e alerta pecuaristas

A chamada bicheira-do-novo-mundo estava erradicada nos Estados Unidos | Créditos: Divulgação/Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)


A descoberta de um parasita conhecido por devorar tecido vivo de animais colocou autoridades sanitárias e pecuaristas dos Estados Unidos em alerta máximo. O governo americano confirmou um caso da chamada bicheira-do-novo-mundo em um bezerro no Texas, marcando o primeiro registro da praga no estado em cerca de 60 anos.

O caso foi identificado em La Pryor, no sul do Texas, próximo à fronteira com o México. As larvas foram encontradas na região do umbigo de um bezerro de apenas três semanas de vida. Segundo autoridades agrícolas, o animal foi tratado e deve sobreviver.

O parasita é a larva da mosca Cochliomyia hominivorax, uma espécie que se alimenta exclusivamente de carne viva de animais de sangue quente. A infestação começa quando a mosca deposita ovos em feridas abertas ou em regiões úmidas do corpo, como boca, nariz, olhos, orelhas e órgãos genitais.

Quando os ovos eclodem, centenas de larvas penetram no tecido do hospedeiro usando movimentos em espiral. As larvas possuem estruturas cortantes capazes de aprofundar rapidamente as feridas.

As infestações podem provocar dor intensa, sangramentos, infecções secundárias e mau cheiro. Sem tratamento rápido, o animal pode morrer em aproximadamente dez dias.

A principal preocupação das autoridades americanas é o impacto econômico que um eventual surto pode causar na pecuária. Especialistas estimam que uma disseminação ampla no Texas poderia gerar prejuízos bilionários, reduzir rebanhos bovinos e elevar ainda mais os preços da carne nos Estados Unidos.

A praga havia sido considerada erradicada do território continental americano em 1966, após décadas de campanhas de controle que incluíram a liberação de milhões de moscas machos estéreis na natureza.

Essa estratégia funcionava porque as fêmeas acasalam apenas uma vez durante toda a vida. Ao cruzarem com machos estéreis, não produzem descendentes, interrompendo o ciclo reprodutivo da espécie.

Mesmo após a erradicação oficial, autoridades continuaram monitorando possíveis reintroduções do parasita vindas do México. Nos últimos anos, porém, houve um avanço gradual da praga pela América Central e território mexicano.

Desde 2023, casos vêm sendo registrados cada vez mais ao norte, especialmente em países como Panamá e Costa Rica. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, modelos já indicavam que a chegada do parasita ao país era uma possibilidade real.

Após a confirmação do caso no Texas, o governo criou uma zona de quarentena de 20 quilômetros na região afetada. Também foram impostas restrições no transporte de animais e ampliadas ações de vigilância sanitária.

As autoridades americanas aceleraram ainda a liberação de moscas estéreis para conter a propagação da praga. Uma nova instalação no Texas está sendo construída para produzir centenas de milhões desses insetos por semana.

O tratamento dos animais infectados envolve medicamentos antiparasitários, remoção manual das larvas e desinfecção das feridas. Em situações mais graves, pode ser necessário sacrificar o animal.

Apesar do temor na cadeia pecuária, especialistas afirmam que não existe risco para a segurança alimentar. As larvas atacam apenas tecidos vivos e não contaminam carne já abatida.

A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou que não há sinais de uma infestação em massa no país, mas pediu que produtores rurais redobrem a atenção para feridas suspeitas e presença de larvas em animais.

Já autoridades do Texas criticaram a resposta federal e disseram que o avanço da praga pelo México vinha sendo subestimado há meses. O temor agora é impedir que o episódio isolado se transforme em um novo surto de grandes proporções.

Parasita pode infectar pessoas

Embora o foco principal esteja na pecuária, o parasita também pode infectar seres humanos. Casos em pessoas são raros, mas podem ocorrer principalmente entre trabalhadores rurais, indivíduos com feridas abertas, imunossuprimidos e pessoas expostas por longos períodos ao ambiente externo.

Os sintomas incluem feridas dolorosas que pioram rapidamente, sangramentos e até a sensação de larvas se movendo sob a pele. A infestação também pode atingir olhos, nariz, boca e ouvidos.

As autoridades ressaltam, porém, que o risco para a população é considerado baixo. O parasita não é transmitido de pessoa para pessoa nem entre animais diretamente. A infestação ocorre apenas quando uma mosca deposita ovos em uma ferida exposta.

Em 2025, os Estados Unidos registraram o primeiro caso humano em décadas. O paciente havia retornado de viagem a El Salvador, onde a praga é considerada endêmica, e se recuperou após tratamento.

Compartilhe: