Ouro ilegal supera cocaína em lucratividade para o crime organizado, aponta estudo

| Créditos: Reprodução/Polícia Federal


Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revelou que a extração ilegal de ouro gera mais lucro ao crime organizado do que o tráfico de cocaína. Enquanto o combate às drogas envolve Polícia Militar, Civil e Federal, apenas a PF tem competência legal para fiscalizar o garimpo irregular.

Desafios no combate ao tráfico e ao garimpo

Na fronteira amazônica, o tráfico de drogas é combatido diariamente, mesmo com efetivo reduzido. O Amazonas, que faz divisa com Colômbia, Peru e Venezuela, tem apenas 100 policiais militares do 8º BPM responsáveis por oito municípios. Já o garimpo ilegal concentra-se em Japurá e Humaitá, onde operações federais, como a "Ágata", atuam desde 2014.

A Polícia Federal utiliza inteligência artificial para monitorar garimpeiros e descapitalizar redes criminosas. Além do impacto econômico, a atividade ilegal agrava problemas como malária, contaminação por mercúrio e crimes como exploração sexual de menores.

Corrupção e rotatividade policial

A corrupção de agentes públicos facilita a atuação do crime organizado. Em Japurá, a PM troca mensalmente suas equipes para evitar cooptação. Grupos armados, incluindo facções como o PCC e paramilitares colombianos, também atuam na região, roubando ouro e combustível de garimpeiros.

Marcus Vinicius de Almeida, secretário de Segurança, reconheceu a existência de agentes públicos envolvidos, mas destacou a dificuldade de fiscalizar uma área tão extensa. "O Brasil está de costas para nós. Precisamos de mais efetivo da PF", afirmou.

Caso Gringo: impunidade e suspeitas

Aldaildo Fongher, conhecido como Gringo, é investigado por liderar uma rede de garimpo ilegal em Japurá e Jutaí. As investigações começaram após a prisão de um empresário e um PM no Paraná em 2020, portando ouro sem documentação. Mensagens no celular do empresário, posteriormente assassinado, ligavam Gringo a esquemas de corrupção, incluindo pagamento a militares e apoio a candidaturas.

Apesar das evidências, Gringo foi solto em 2023 por decisão judicial, que alegou falta de provas concretas. Ele nega as acusações e alega atuação legal no mercado de ouro.

Impactos ambientais e sociais

Além do crime organizado, o garimpo ilegal prejudica comunidades locais, com aumento de doenças, escassez de caça e pesca, e danos ambientais irreversíveis. A fiscalização, no entanto, esbarra na dimensão territorial e na complexidade das redes criminosas.

Fonte: O Tempo

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