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Parece que a gente já viu de tudo, não é mesmo?
A gente pensa que a política brasileira atingiu o ápice do surreal, o pico da cara de pau, o cume do “não é possível!”. Aí, o STF, sempre solícito em nos presentear com novas peripécias, resolve dar uma de mágico e tirar da cartola mais uma: a permissão para nomear parentes para cargos políticos.
É isso mesmo!
Na terra onde encontrar um político honesto é igual a “enxergar orelha de freira” – todo mundo fala que existe, mas ninguém nunca viu –, a Suprema Corte forma maioria para abençoar o que o bom senso e o pacato cidadão consideram um absurdo.
O nepotismo, aquele velho conhecido que a gente tentou enxotar com leis e moralidade, recebe um tapinha nas costas e um "pode entrar, a casa é sua".
E aí eu discordo de parte do coro. Acho que temos que parar de jogar todos no mesmo balaio. Existem, sim, pessoas sérias na política, de todas as bandeiras, que tentam fazer seu trabalho com honestidade. O problema é que esses raros espécimes são hostilizados, desrespeitados e engolidos pela fera da descrença geral que nós mesmos alimentamos. O bom político acaba sendo punido duas vezes: pela corja que o cerca e pelo nosso cinismo que o condena antes mesmo de ele abrir a boca.
Enquanto isso, “ELES” mandam. E nós, os tais pacatos cidadãos, o que fazemos? Aceitamos.
Com a inércia de quem acha que o problema é grande demais, com o desinteresse de quem não enxerga que o bem comum foi sequestrado. Lembram-se de quando fomos às ruas por vinte centavos? A indignação fervia, a revolta era combustível. Hoje, vemos bilhões sendo esfregados em nossa cara em escândalos que se sucedem num ritmo de novela mexicana, e a maioria apenas dá de ombros, muda de canal ou compartilha uma mensagem irada no Facebook que morre na timeline.
A conta é simples: só obedecemos até o dia em que decidimos dar um basta.
A história já mostrou isso. Mas parece que a nossa bateria moral descarregou.
Então, está na hora de erguer o dedo. Não para apontar apenas o político que nada deve – embora isso seja um começo e tanto –, mas para mobilizar, para exigir, para deixar claro que a farra do judiciário e da política tem que acabar.
A orelha da freira pode ser invisível, mas a nossa voz jamais!






