Oposição vence eleições legislativas em Buenos Aires e ameaça Milei
- porAgência Brasil
- 08 de Setembro / 2025
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O presidente da Argentina, Javier Milei, em um veículo com a secretária-geral da Presidência da Argentina, Karina Milei, enquanto participam de um comício do partido La Libertad Avanza, antes das eleições legislativas na província de Buenos Aires, em Lomas de Zamora, nos arredores de Buenos Aires, Argentina, em 27 de agosto de 2025. | Créditos: REUTERS/Agustin Marcarian/Proibida Reprodução
A oposição peronista ao governo de Javier Milei derrotou nesse domingo (7) o partido do presidente argentino, La Libertad Avanza, nas eleições legislativas na província de Buenos Aires, maior distrito eleitoral, fundamental para as eleições nacionais de outubro próximo.
Com mais de 85% dos votos apurados, a aliança da oposição peronista Fuerza Patria obteve quase 47%, enquanto a La Libertad Avanza (LLA) ficou com quase 34%.
Milei já reconheceu que o LLA sofreu "derrota clara", que "tem de ser aceita", e prometeu fazer o possível para reverter esses resultados.
"Hoje tivemos uma derrota clara e, se alguém quiser começar a reconstruir e seguir em frente, a primeira coisa que precisa ser aceito é o resultado. Hoje, os resultados não foram positivos, tivemos um revés eleitoral e isso precisa ser aceito", disse.
O principal rosto da vitória, a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner (2007-2015) saiu à varanda da sua casa em Buenos Aires, onde cumpre prisão domiciliar, para saudar centenas de apoiadores que alí se reuniram para comemorar. .
"Viste Milei?", escreveu Cristina minutos antes de sair à varanda, em seu seu perfil na rede social X para, em seguida criticar, uma a uma as várias políticas e ações do presidente Javier Milei durante o seu mandato.
Os resultados ainda provisórios apontam para uma vitória do peronismo em seis das oito secções eleitorais que compõem a província, incluindo vitórias categóricas nos dois distritos mais populosos.
A participação ficou ligeiramente acima de 63%, um número inferior ao registrado nas eleições legislativas anteriores (71% em 2021 e 77% em 2017), mas não tão baixo quanto o esperado, considerando que, desta vez, por essas eleições não serem realizadas em conjunto com as nacionais, era esperada maior abstenção.
Atrás da Fuerza Patria e da LLA, a Somos Buenos Aires, uma frente política composta por setores peronistas opostos ao kirchnerismo (o vencedor da noite), registrou pouco mais do que 5% dos votos. Em quarto lugar, a Frente de Izquierda y de los Trabajadores Unidad ultrapassou ligeiramente os 4%.
Confirmados esses resultados, a Fuerza Patria, que governa a província desde 2019, ficará com 13 dos 23 assentos no Senado, que estavam em jogo nesta eleição e 21 dos 46 assentos disputados.
A LLA, por sua vez, ficará com oito dos 46 assentos no Senado e ainda 18 assentos na Câmara Baixa, que conta com um total de 92 cadeiras.
O peronismo conseguiu se impor não só ao partido de Milei, mas também à Propuesta Republicana (Pro), partido conservador liderado pelo ex-presidente argentino Mauricio Macri (2015-2019), que participou destas eleições em coligação com a LLA.
Tanto o governo de Milei quanto o peronismo - a principal força de oposição na Argentina - escolheram como estratégia política apresentar a eleição provincial como batalha fundamental para se posicionarem com solidez para as eleições nacionais de 26 de outubro, nas quais será parcialmente renovada a composição do Parlamento.
A província de Buenos Aires tem peso eleitoral importante, uma vez que concentra 38,6% da população da Argentina.






